domingo, 6 de agosto de 2017

E A SEGURANÇA?

Nos últimos tempos a situação catastrófica vivida em Pedrógão Grande voltou a colocar a Segurança no centro da atenção pública.
E temos muito caminho a percorrer para colocar a Segurança no nível aceitável.
A Segurança vive de meios de minimização e de combate em caso de catástrofe ou acidente grave e de medidas de prevenção.
Pode-se afirmar que ao nível dos meios de combate não estamos mal mas ao nível da prevenção deixamos muito a desejar!
Esta situação deve-se a anos de política rasca, de caça ao voto e de pouca consciência do que é o papel de zelar pelos interesses da população que legitima os eleitos nas sucessivas eleições.
Ninguém vai inaugurar uma faixa de contenção de incêndio mas inaugurar um carro de bombeiros até garrafa de champanhe dá direito!
Neste caso, para se ser justo, o problema da insensibilidade ao problema não é um exclusivo de Cascais, é um problema infelizmente geral.
Mas gostava de assistir a uma profunda alteração na forma de tratar este problema e gostava muito de ver Cascais a ser um exemplo bom disso mesmo.
Mas não é. Cascais é igualzinho aos outros.
As Câmaras têm um conjunto de competências de planeamento, licenciamento e fiscalização que podiam ser determinantes na melhoria significativa de uma política de segurança.
Outras competências estão na mão do governo. Mas não devem as autarquias assumir um papel reivindicativo junto da administração central exigindo publicamente a execução de boas práticas em Segurança?
Gostava de ver Cascais com a mesma genica com que se apressa a resolver problemas do MAI (conclusão do edifício da PSP de Cascais) ou do Ministério da Saúde (aquisição do Hospital José Almeida) exigir que o Ministério do Ambiente trate de urgentemente consolidar as arribas na zona da Guia e da Boca do Inferno ou na Praia da Parede.
A não execução de obras de consolidação das arribas entre a Guia e a Boca do Inferno ainda vai acabar por provocar uma tragédia num dia que um ou mais autocarros carregados de turistas vier parar ao mar por deslizamento de parte da estrada!

Cascais, em caso de sismo, pode vir a sofrer graves consequências. O mesmo é válido em caso de Tsunami. As zonas de Carcavelos, Cascais e Estoril serão seriamente afetadas em caso de Tsunami. E que medidas vemos a Câmara tomar? Bom, pelo menos assistimos neste último mandato ao esforço de Carlos Carreiras em conseguir aprovar uma urbanização em Carcavelos Sul com 900 fogos e à instalação de uma Universidade na mesma zona…
“Uma excelente e conscienciosa medida preventiva”…
Com estas duas medidas Carreiras acrescentou mais 6 ou 7 mil eventuais vítimas!
A Câmara de Cascais não analisa nenhum projeto de estruturas de edifícios nem o cálculo anti sísmico! De forma cómoda passa essa responsabilidade para o projetista e aceita como bom o projeto realizado.
Depois, durante a construção, a maior parte das vezes não fiscaliza se a estrutura construída está de acordo com o projeto!
Esta atitude numa entidade licenciadora e fiscalizadora pode até ter contornos criminosos por omissão!
Moral da história, como habitualmente o projetista e a empresa construtora não são os futuros habitantes das habitações construídas, quem se trama é quem compra gato por lebre sem que a Câmara tenha atuado como entidade garante de boa e correta execução!
Resta pois reconhecer que em caso de sismo e consequente colapso do edifício os habitantes que sobreviverem poderão sempre pedir responsabilidades aos projetistas e às empresas construtoras… No meu ponto de vista é um passa responsabilidades inaceitável!
As Festas do Mar são um exemplo acabado de irresponsabilidade na garantia da segurança de todos os visitantes e assistentes aos vários concertos na esplanada frente ao Hotel Baía.
Qualquer acontecimento imprevisto que cause alarmismo na população ali presente, sem linha de fuga definidas e com capacidade para escoar tanta gente, vai ser uma catástrofe! No dia em que acontecer (e esperemos que não aconteça!) com que cara aparecerá Carlos Carreiras? Mais uma vez virá dizer que a culpa é da oposição?
Diz o velho ditado que “só nos lembramos de Santa Bárbara quando troveja”!
O problema é que estamos a falar de vidas, vidas que se podem perder ou que se podem salvar!

Gostava de ver Cascais por uma vez lutar por um top que interessa à sua comunidade: O Top da SEGURANÇA!

quarta-feira, 10 de maio de 2017

CASCAIS E A FÚRIA DAS OBRAS







Cascais, desde o início do ano virou estaleiro.
As obras sucedem-se numa fúria avassaladora, rumo às inaugurações que decorrerão, não é difícil de adivinhar, imediatamente antes das eleições.
Dirão os apoiantes da coligação no poder que “aí está um executivo que faz obra” para demonstrar aos detractores que em Cascais, para além das Festas também se asfalta, executam estradas, jardins e parques de estacionamento.
Os mais distraídos, poderão ficar com a ideia que esta Câmara até fez umas coisas neste mandato e no dia das eleições usar aquela ideia “bem estes até fizeram alguma coisa, dos outros não sabemos do que serão capazes portanto…”
Para quem siga com atenção a actuação do actual executivo da Câmara de Cascais só pode estar preocupado com tudo a que estamos a assistir.
Obviamente que se espera e deseja que a Câmara de Cascais, como todas as outras, deve em cada momento realizar obras novas ou de conservação como resposta às necessidades e a qualidade que os munícipes esperam que os concelhos onde vivem lhes garantam.
Mas se o exercício de uma gestão de uma câmara é de 4 anos, é razoável acreditar-se que um bom gestor garantirá que os investimentos serão realizados ao longo desse período.
Se o gestor resvalar para a politiquice até pode guardar as coisas mais emblemáticas para mais perto das eleições para que fique na lembrança do eleitor.
Mas Carlos Carreiras insiste numa gestão à Sócrates.
Gastou o que tinha em Festas e foguetes, conferências e corridas de barcos durante os primeiros 3 anos e agora anda à lufa lufa a fazer obra em tudo o que é sítio!
Como “gestor” que até parece que é a formação que tem, “torrou a massa toda” e agora faz obra com dinheiro emprestado.
Nos próximos mandatos, ele ou outro que venha a ganhar as eleições, tratará de pagar o que ele gastou!
Quer dizer, ele ou o próximo assinarão a ordem de pagamento porque o dinheiro, o do empréstimo e os juros, saem do dinheiro dos nossos impostos!
É constrangedor!
É constrangedor que nos tempos de hoje se assista a este “tipo de gestão” e é constrangedor que os munícipes entendam este tipo de comportamento como normal e não se revoltem ou reajam de forma bem visível demonstrando o seu desagrado pela forma como é esbanjado o dinheiro dos nossos impostos!
Há por vezes a ideia que se tenta passar que no primeiro ano é para ter uma ideia das grandes obras, mandar fazer os projectos e preparar o arranque das obras nos 3 anos subsequentes de mandato.
É a coisinha mais falaciosa que se pode ouvir!
Primeiro que tudo, embora o habitual é os vários Partidos se candidatarem sem um Programa minimamente definido, por vezes até recorrendo a candidatos que não conhecem bem a autarquia e portanto não conhecem bem os seus problemas, mas no caso presente Carlos Carreiras é autarca desde 2006 (já lá vão 11 aninhos!) pelo que tem mais do que obrigação de conhecer na perfeição as necessidades e as prioridades de obra!
Depois a falta de critério, o atropelo, querer fazer num ano o que deveria ter sido feito em quatro, traz dissabores, obras mal planeadas ou sobrepostas, os desvios e os contra desvios nas estradas do concelho, as falhas de segurança provenientes desta trapalhada toda, um ano de desassossego para os munícipes por culpa exclusiva de termos um Presidente de Câmara e uns Vereadores que em nenhum momento pensam nos seus munícipes, nas suas necessidades, na sua segurança, nos interesses dos seus impostos! Excepto claro, uma vez de quatro em quatro anos em que precisam que alguns deles vão votar e de preferência que não sejam muitos para não haver surpresas…
Já experimentaram passar na estrada Alcoitão Manique Tires? Levem o GPS para fazerem a experiência sem sobressalto!
O desvio do trânsito para a frente da entrada da Escola Salesiana de Manique, de manhã, com centenas de metros de carros em fila, os estudantes a saírem dos carros dos pais e a deslocarem-se para a escola numa estrada sem passeios nem bermas e onde claro já houve acidentes e atropelamentos.
Quem planeou a segurança daquela obra?
A Estrada S. Domingos de Rana - Trajouce é outro bom exemplo.
Está a decorrer a obra da variante da Abóboda, e nisso está a CMC de parabéns, mas a falta de critério das obras que ali têm sido executadas são gritantes!
Dentro da localidade de Abóboda 15 metros de passeio, 30 metros de valeta, depois passeio outra vez na rotunda nova do LIDL e depois desaparece o passeio outra vez.
Depois passeio, terra batida até à paragem do autocarro e depois nem passeio nem nada!
Quem é que planeou esta intervenção?
Foi só conversa de secretária ou foram ao local perceber as necessidades?
Estão a pensar fazer o passeio que falta se a lista da coligação conseguir ganhar a Junta de S. Domingos nas próximas eleições?
A grande solução para a entrada de Cascais com o prolongamento da A5 afinal…
Experimentem passar lá ao fim da tarde, 18h – 19h e depois mandem-me um mail a contar quanto tempo é que estiveram na fila para chegar à rotunda de Birre…
Se isto é o melhor que Carreiras consegue fazer, mandem-no depressa para casa.
Aproveitem as próximas eleições do dia 1 de Outubro e escolham alguém que vos respeite, que vos ouça e que saiba gerir de forma conveniente o dinheiro que entregamos à Câmara de Cascais para que o possa gerir em nosso nome, sob o nosso mandato!




quinta-feira, 9 de março de 2017

A MEDICINA NÃO TEM CURA PARA ISTO!

 Foi notícia amplamente divulgada nos meios da CMC, das redes sociais e dos jornais a assinatura de um protocolo no passado dia 24 de Fevereiro entre a Câmara de Cascais e a Universidade Católica Portuguesa para a criação de uma Universidade de Medicina, a funcionar em instalações cedidas pela CMC no centro da Vila de Cascais.
Uma universidade em Cascais, e de medicina, em tese parece ser uma excelente notícia!
Mas não é.
Não é uma boa notícia por variadas razões que tratarei de tentar partilhar com o leitor mas acima de tudo porque é uma notícia sem fundamento legal ou institucional e a meu ver tem apenas um intuito de cariz político partidário, induzindo o eleitor de Cascais numa ideia que, na data em que foi anunciado, não passa de uma mentira de Carlos Carreiras com o beneplácito de uma instituição cujo prestígio nacional é, a meu ver, incompatível com a falácia em que participou.
Escalpelizemos pois este assunto…

CURSO PRIVADO DE MEDICINA EM CASCAIS? QUAL?
Pois, segundo parece, há uma vontade, uma intenção da Universidade Católica em fazer aprovar junto do Ministério da Educação um Curso de Medicina só que… não o fez ainda, não se sabendo qual será a posição do ME sobre tal eventualidade.
Parece-vos lícito protocolar e anunciar aos quatro ventos a instalação de um Curso Privado de Medicina em Cascais, com 1000 vagas, sem o mesmo ter sido aprovado por quem de direito?
Já vos está a cheirar a eleições, não está?

CÂMARA DE CASCAIS VAI DEMOLIR O EDIFÍCIO E CONSTRUIR NOVO DE ACORDO COM AS ESPECIFICAÇÕES DA UNIVERSIDADE CATÓLICA?
O Protocolo estabelecido com a Universidade Católica estabelece que a CMC irá demolir o imóvel que foi sede das Águas de Cascais e vai construir nesse local um novo edifício de acordo com as especificações da UCP.
Acho isto uma coisa do outro mundo.
A Câmara cede o seu património, vai construir a gosto e logo estabelecerá um valor de renda?
Onde é que está a garantia dos interesses do município e do dinheiro dos nossos impostos?
Qual o papel a desempenhar pelos jovens munícipes de Cascais nesta “aventura”?
Cascais vai ser o município com mais médicos per capita? Ou com mais tansos?...

A CÂMARA PODE VENDER O EDIFÍCIO DO ANTIGO HOSPITAL?
Neste negócio de contornos tão obscuros está também a venda ao grupo chinês, dono do Hospital da Luz, do edifício do antigo Hospital de Cascais, onde parece irá funcionar uma clínica de apoio ao curso de Medicina.
A Câmara pode vender património que foi doado com o fim específico de funcionar como unidade hospitalar para serviço dos cascalenses?

A CÂMARA DESISTIU DE CRIAR NO ANTIGO HOSPITAL DE CASCAIS UMA UNIDADE DE CUIDADOS PALEATIVOS?
E depois temos esta característica fantástica deste executivo de Câmara liderado por Carlos Carreiras que parece que cada vez que vão à “casa de banho” mudam de ideias!
Carreiras negociou a passagem do edifício do Hospital para o Património da Câmara para criar uma unidade de cuidados paliativos.
Já não é precisa?
Os idosos acamados têm dificuldade de se deslocar à mesa de voto?

AGORA A LOCALIZAÇÃO DO ANTIGO HOSPITAL DE CASCAIS JÁ É BOA?
A grande crítica que foi feita à localização do antigo Hospital de Cascais foi a sua localização, a pressão urbana que exercia no casco velho de Cascais, representando grandes problemas de acesso, de mobilidade, de estacionamento.
Estas críticas ditaram, e bem, a construção do novo Hospital de Cascais.
E agora, volta tudo ao mesmo, coloca-se ali uma clínica e uma carrada de estudantes?
Sei que Carlos Carreiras não consome bebidas alcoólicas, mas começo a desconfiar do que lhe andam a misturar nos refrigerantes…

QUEM NEGOCEIA O PROTOCOLO COM A UNIVERSIDADE CATÓLICA É AO MESMO TEMPO VEREADOR EM CASCAIS E COORDENADOR DE ÁREA NA UNIVERSIDADE CATÓLICA?
Por fim um aspecto deste processo que cheira mal à distância.
Quem liderou este processo foi Ricardo Batista Leite, ilustre vereador, também deputado da nação e não menos ilustre responsável da Universidade Católica.
Não sabemos se o Vereador se limitou a combinar os termos do protocolo com o Coordenador Científico de Saúde Pública da Universidade Católica Portuguesa nem se na negociação prevaleceu o amor a Cascais, o respeito à entidade empregadora ou simplesmente o respeito que tem pelo seu umbigo, mas que a transparência parece prejudicada, parece!
Carlos Carreiras quer tanto ganhar o passaporte para mais 4 anos de desvario na Câmara de Cascais que entrou já no delírio.
A opinião pública parece estar a borrifar-se. É pena.

Para isto, a medicina ainda não tem cura!

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

GRÁTIS? NEM ALMOÇOS NEM OBRAS...

Quando vi agendado para a reunião de Câmara de Cascais a discussão do projecto da entrada de Cascais fiquei com muita curiosidade com a forma como ia ser resolvido aquele nó de nível que engarrafa diariamente o trânsito automóvel à entrada de Cascais e qual o preço urbanístico a pagar pela melhoria a implementar.
Todos sabemos que nem os almoços nem as obras são grátis.
Aliás, empreiteiros são conhecidos por terem mentalidade de talho: estão sempre disponíveis por trocar um chouriço com quem lhes der uma vara de porcos!
Logo apareceu nas redes sociais um filme que, com pompa e circunstância, anunciava o novo e “extraordinário” projecto da nova entrada nascente de Cascais
Confesso a minha tristeza e a minha revolta com o que vi!
Afinal o novo projecto, pressupõe alterações significativas no quarteirão onde está o Jumbo, mas sobre a capa insidiosa de uma pseudo zona ajardinada vem mais uma remessa de betão!
E, cereja em cima do bolo, o nó fica na mesma!
Há um “ganho” de facto – enquanto estamos nas filas para entrar em Cascais passamos a olhar para uns edifícios com cobertura verde em vez de olharmos para o parque de estacionamento do Jumbo!...
E o nó desnivelado?
Não há.
Esta é uma história recorrente.
Quando José Luís Judas licenciou o Titanic ou o Cascais Vila, como preferirem, mandou para o lixo o projecto que existia para desnivelar o nó com a Avenida de Sintra e dessa forma poupou umas massas valentes aos promotores do Centro Comercial!
Como eu referi, almoços grátis não há, mas pode haver uns “descontos” nas obras…
Agora Carreiras volta a fazer um favor, ao estilo de Judas, e deixa que os promotores facturem valentemente e os munícipes de Cascais que se lixem!
Poderia ter a tentação de dizer que Carreiras é igual a Judas.
Mas não.
Carreiras é bem pior!
Carreiras sabe que a entrada de Cascais tal como está não serve os interesses de Cascais e das suas gentes, dos seus munícipes, das pessoas que a custo mantêm os seus negócios a definhar no centro de Cascais.
Carreiras sabe que aquele nó precisa de ser desnivelado mas está-se nas tintas.
Quem ouviu Carreiras falar de Judas, de o acusar de tudo e mais um par de botas, é pena que não o relembre agora e o faça esbarrar na hipocrisia do discurso que insiste em fazer, travestido de “defensor dos homens e mulheres de Cascais”.
Depois do que fez com Carcavelos, vem agora a entrada de Cascais.
O betão, sempre o betão.

Carlos Carreiras não passa de um farsante!

quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

MOBILIDADE E MARKETING



Com pompa e circunstância a Câmara de Cascais quis, finalmente, tentar um olhar para a mobilidade em Cascais.
Pode-se discutir se as opções serão as melhores, se as motivações serão aceitáveis, mas este mérito é indubitavelmente creditado ao actual executivo da autarquia Cascalense, chefiada por Carlos Carreiras.
Mas, há aqui um conjunto de pormenores que, como tentarei demonstrar, arriscam tornar-se “por maiores”….
Cascais tem vindo a insistir no uso da bicicleta de há uns anos a esta parte mas convenhamos, a sua utilização tem muito mais de fruição da zona por turistas em tempo de Verão do que um hábito arreigado na comunidade autóctone.
Mas vale o esforço e, sendo claramente um meio de transporte saudável e não poluente, deve a CMC continuar a pugnar por fazer crescer a sua utilização em condições de segurança, com vias dedicadas à utilização de velocípedes.
Vê-se em muitos locais da Europa e se é verdade que muitas vezes copiamos o que de pior se faz lá fora, pois que neste aspecto prevaleça a cópia do melhor.
Já as questões relacionadas com o transporte rodoviário, ferroviário e a política de estacionamento muita tinta podemos gastar porque estes autarcas muito mal estão a servir a comunidade que os elegeu!
Se é verdade que há que encontrar soluções que compatibilizem a vida das pessoas e as suas necessidades de transporte nestes movimentos pendulares com Lisboa e que estejam também sintonizados com a capacidade das nossas carteiras, é fundamental que as soluções encontradas sejam lógicas, viáveis financeiramente, ambientalmente corretas e que promovam um efectivo aumento de qualidade de vida aos utentes.
Ora, todo este frenesim municipal denominado Mobi Cascais tem muito mais de marketing político do que solução efectiva para o problema.
Acompanhem o meu raciocínio.
O drama CP, agora tão empolado por Carlos Carreiras conheceu dois momentos. Numa primeira fase, no governo do PSD, assistimos a um desinvestimento na qualidade do serviço prestado, com a diminuição da frequência de comboios e o aumento do tempo de duração da viagem, com o consequente aumento do desinteresse dos utentes nesta solução de transporte. Carlos Carreiras, como “social democrata convicto” pouco tugiu ou mugiu.
Nesta segunda fase, já com o governo do PS, “caiu o Carmo e a Trindade” por o governo não ter avançado com a modernização da linha.
É triste verificarmos que a politiquice, na cabeça dos nossos políticos locais, está sempre à frente dos interesses dos munícipes que representam!
Mas o aumento da utilização do comboio pela população de Cascais está dependente de outros dois factores complementares para além da qualidade do serviço prestado pela CP. Um transporte de autocarros eficaz, barato e a garantir um bom serviço à população que a Scotturb insiste em não garantir ou, em alternativa, a possibilidade de as pessoas se poderem deslocar com carro até à estação de comboios mais próxima da sua residência e conseguir estacionar o seu veículo num local próximo e sem ter que ter que empenhar a roupa interior para pagar esse serviço!
Se na política de autocarros, agora que Cascais arroga o poder de autoridade de transportes local deposito alguma expectativa, sobre a política de estacionamento já deu para perceber que de Carlos Carreiras não há nada de bom a esperar.
É especialmente sobre o estacionamento que o marketing político denominado Mobi Cascais mais hipócrita e mentiroso se mostra.
Repare-se que Cascais, a exemplo de quase todos os outros municípios portugueses, tem uma prática de autêntico esbulho sobre esta matéria.
A esmagadora maioria dos espaços públicos transformados em estacionamento resultam de cedências às Câmaras de terrenos no âmbito de operações de urbanização em que os legítimos proprietários cedem esses terrenos para os “fins públicos que as câmaras entenderem” e as Câmaras de forma insidiosa registam no domínio privado municipal. Passo seguinte é considerar que pode fazer o que entender no terreno nem que seja transformá-lo em estacionamento pago! As Câmaras transformam terreno cedido para fins públicos em terreno com utilização onerada para o público.
Em Português simples alguém encontra outro nome para isto que não seja esbulho?
Mas o que Carlos Carreiras tem para oferecer com este Mobi Cascais é um desconto nos parques de estacionamento junto às estações de comboios? Quais parques?
Há um em Cascais. Deve ser esse. Quem morar do Monte Estoril até Carcavelos ficou servido…
Mas esta ideia passa como boa. A esmagadora maioria dos munícipes não está nem estará interessada em utilizar a pseudo vantagem do “desconto” propagandeado no título de transporte combinado com o estacionamento porque lhe vai continuar a sair mais barato, embora menos cómodo, levar o carro para Lisboa.
Mas fica para memória futura que Cascais fez qualquer coisa acerca do assunto mobilidade. Uma conferencia de imprensa, uns comunicados, uns cartazes e que vai gastar uma autêntica fortuna numas bicicletas para alguém utilizar.
Há muito que Cascais demonstrou que não é preciso fazer. Basta dizer que se faz…

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

“C” de Coerência



As atitudes das pessoas são sempre o espelho da sua alma, do que valem como pessoas, a imagem da sua integridade, o quanto são verdadeiras e por essa via confiáveis.
Infelizmente, o povo português tem vindo a perder paulatinamente a capacidade de exigir dos seus políticos que sejam verdadeiros e cobrar deles, pelo menos nas eleições, com o seu voto.
Os tempos estão para se ter memória curta.
A recente notícia http://sol.sapo.pt/artigo/541443/sintra-psd-apoia-capucho-tr-s-anos-depois-de-o-ter-expulso- demonstra-nos como se pode ser tão pouco coerente na política sem receio nem vergonha por passar uma imagem invertebrada ao eleitor.
Boa parte da população parece ter esquecido o que se passou nas últimas eleições autárquicas mas eu faço questão de voltar a trazer este assunto ao debate.
A direcção do PSD na altura, onde pontificava Carlos Carreiras como Vice Presidente do PSD e herdeiro da presidência da Câmara de Cascais por abandono de António Capucho por motivos de saúde, e na Comissão Política Distrital do PSD Miguel Pinto Luz, também ele catapultado a Vice Presidente da Câmara de Cascais pela mesma via “hereditária”, acabaram por decidir que Marco Almeida não seria o candidato do PSD à Câmara de Sintra.
Marco Almeida tinha o apoio da totalidade das secções de Sintra do PSD mas Miguel Pinto Luz na Distrital boicotou a nomeação de Marco Almeida, inventando uma candidatura anedota liderada por Pedro Pinto que acabou com 13,79% dos votos (2 vereadores) e que, se depressa chegou a Sintra como candidato, mais depressa desapareceu para o bem bom do Parlamento, que isto de autarquias “ é muito trabalhoso e dá pouco cachet”…
Marco Almeida foi vetado porque não tinha apoiado Carlos Carreiras quando da sua eleição para a Distrital de Lisboa do PSD como também não apoiou Miguel Pinto Luz na sua eleição para a Distrital.
Carlos Carreiras já nos habituou a raciocínios lineares – se não estás comigo estás contra mim, e se estás contra mim estás feito até ao resto dos teus dias…
Marco Almeida, mesmo com uma lista anedota do PSD a concorrer contra si, acabou por ficar a 1738 votos de ganhar as eleições em Sintra, encabeçando uma lista independente. (PS – 32.894 votos; Sintra com Marco Almeida – 31.246 votos; PSD/CDS/MPT – 16.945 votos).
António Capucho foi o candidato na lista de Marco Almeida à Assembleia Municipal, facto que lhe valeu a expulsão do Partido de que foi fundador e onde militou durante quase 40 anos.
A piada disto é que os mesmos estatutos do PSD que serviram para expulsar Capucho do PSD por ter participado numa lista contra o Partido, de nada serviram para fazer valer a vontade dos militantes de Sintra quanto ao candidato que pretendiam apresentar em eleições…
Acto de coerência, não é?
O PSD acabou por ganhar apenas Cascais e Mafra em todo o Distrito de Lisboa o que é, convenhamos, muito pouco!
Mas as perspectivas não são nada animadoras para as próximas autárquicas no que ao PSD respeita.
Se Mafra parece estar de pedra e cal, não se augura que o PSD consiga inflectir a tendência de votos já registados nas últimas eleições autárquicas nos restantes municípios do Distrito e em Cascais, a possibilidade do aparecimento de um sucedâneo da geringonça, agora a nível local, poderia mesmo fazer o PSD perder esta Câmara emblemática para as hostes laranja.
Numa clara demonstração que em política vale tudo e a verticalidade e a coerência dos actos não tem valor reconhecido, os mesmos carrascos de Marco Almeida e António Capucho vêm agora fazer de conta que “sempre foram amigos”.
Carlos Carreiras teve um “ataque de azia” de uma semana mas prefere isso a ter que prestar contas no Partido por aumento de perdas.
Embora tenha que engolir Marco Almeida como candidato e tenha que aceitar que o seja nas condições impostas por Marco Almeida, arrumar António Capucho em Sintra é do mal o menos uma vez que, das hipotéticas figuras que poderiam liderar o dito sucedâneo de geringonça, a que detinha maior probabilidade de vencer Cascais era precisamente António Capucho.
Capucho, tem 8 anos de prática, de um estilo de governação de Cascais que enche o coração dos cascalenses de saudade! Qualquer comparação com Carreiras são, futebolisticamente falando, dez a zero a favor de Capucho!
Assim, sem coerência (valor com baixa cotação nos dias que correm ao que parece…) Carreiras e Pinto Luz “solucionam” Sintra a favor do PSD sem colocarem em causa a tribuna que têm em Cascais.
O que me deixa estupefacto é como chegámos a uma sociedade que acha normal a ausência de coerência, de verticalidade, de assunção de responsabilidades.
O PSD no anterior mandato candidatou um Presidente à Junta de Freguesia de Parede que se abotoou com uma quantidade assinalável de dinheiro.
Carreiras, enquanto responsável local do PSD, não sentiu necessidade nenhuma de pedir desculpa aos fregueses de Parede pela má escolha que o seu Partido fez.
Eu sei que não terá sido o PSD que mandou o dito senhor desviar o dinheiro para a jogatana mas que diabo, e a responsabilidade Partidária? Se nem para isto serve, então para que servem os Partidos? Qual a diferença entre votar num Partido ou no Zé dos Anzóis?
E qual foi a resposta do eleitorado nas últimas eleições? Vitória da lista do PSD.
Moral da história? Nem a quero verbalizar, pela vergonha que me dá enquanto cidadão.
Quanto ao eleitorado não se espera nada de novo.
Perante soluções em que sai mais valorizado o que acontece aos Partidos e aos seus militantes do que o que pode esperar Cascais, não auguro nada de muito diferente.
Metade ou mais vai voltar a ficar em casa e os outros, uns por “esquecimento” e outros por convicção vão voltar a deixar tudo com uma má solução!...

domingo, 4 de dezembro de 2016

RESPEITAR PARA SER RESPEITADO




Fui educado, desde pequeno, a respeitar os outros para eu próprio ser respeitado.
E não gosto, não gosto mesmo, quando tentam fazer de mim parvo.
A gestão política de Cascais tem seguido o caminho tortuoso de nos fazer a todos passar por parvos.
Conseguirá?
2017 o dirá.
Mas passemos os olhos sobre alguns factos.
Carlos Carreiras tem feito uma gestão centrada no parece que é, no imediatismo do foguete, muito focada em garantir os votos necessários no próximo acto eleitoral para perpetuar o seu poder mas com total ausência de respeito pelos seus munícipes.
O respeito demonstra-se falando verdade.
O respeito demonstra-se colocando os interesses da comunidade em primeiro lugar e não os do seu Partido e os seus próprios, sejam eleitorais, financeiros ou outros.
O respeito demonstra-se aceitando as diferenças, aceitando as regras da democracia.
O respeito demonstra-se discutindo argumentos com humildade.
O actual edil de Cascais criou um estilo na Política, baseado na sobranceria, na irascibilidade e na prepotência que transformou Cascais em 3 castas:
- Os brancos, seguidores incondicionais de Carreiras,
- Os pretos, a escumalha que não gosta ou que discute as orientações e as decisões de Carreiras, habitualmente apelidados de “velhos do Restelo”,
- Os cinzentos, a maioria dos munícipes de Cascais que estão indiferentes a tudo isto. Tanto se lhes dá que seja Carreiras, um artista de uma novela ou o Papa porque partem do princípio que os Políticos limitam-se a defender os interesses dos seus Partidos e deles próprios.
Lamento dizer aos da casta dos cinzentos que esse alheamento só faz perpetuar nos meandros do poder o tipo de pessoas que abominam.
Só com o exercício pleno da democracia é possível virar esta página de história negra de Cascais. E a democracia faz-se participando, votando, ou votando noutro candidato quando aquele em que se votou na última vez não cumpriu as expectativas!
Esta lenga lenga pode levar o leitor a dizer que o “Velho do Restelo” que escreve estas linhas só sabe dizer mal.
Não é verdade. Sou capaz de referir aqui um conjunto de medidas e acções levadas a a cabo por Carreiras e pela sua equipa merecedoras de aplauso.
A reclassificação das praias merece aplauso. O incremento das ciclovias merece aplauso. O programa de hortas comunitárias merece aplauso. O apoio prestado à educação merece aplauso. A obra realizada na Feira e no Mercado de Carcavelos merece aplauso.
Mas a esmagadora maioria destas pequenas obras, destes pequenos investimentos, são feitos a pensar no imediato, a pensar na angariação de votos para as próximas eleições. Poucos ou nenhuns tiveram como principal objectivo cumprir a melhoria de Cascais e das suas gentes.
E depois veem as meias verdades e os quartos de verdade.
O prolongamento da A5 parece ter atingido o objectivo de melhorar o acesso a Cascais. Mas preocupa-me o que vai surgir por trás do painel publicitário a cantar loas ao trabalho de Carreiras!
O que Carreiras fez com o Plano de Pormenor de Carcavelos Sul não tem desculpa. Se mais nada houvesse, esta era razão suficiente para criticar e pretender afastar do poder em Cascais o obreiro material da aprovação de tal crime urbanístico!
As bravatas feitas com a aquisição de imóveis do Estado para safar o governo do PSD com dinheiro dos contribuintes de Cascais é miserável.
As aventuras das expropriações por valores inferiores de mercado como a que foi feita no terreno da Business School em Carcavelos é uma esperteza saloia do mais estúpido que se possa imaginar. Ganhar os louros da obra agora e deixar a fatura para os outros que vierem pagar! Política no tom mais ordinário que se conhece!
O Orçamento Participativo, de uma boa ideia para apelar à participação dos munícipes e ensaiar algo parecido com a democracia direta transformou-se num jogo de sorte ou azar, numa espécie de concurso. Lamentável, ver Bombeiros, colectividades ou escolas envolvidos numa caça ao voto quando devia ser a Câmara a tratar desses assuntos por mais elementar justiça!
O modelo de estacionamento pago e a mobilidade em Cascais é um dos exemplos mais gritantes de repúdio por uma larga maioria da população de Cascais mas Carreiras segue em frente como se nada fosse. Sobre a mobilidade muito haveria a dizer mas Carlos Carreiras e a sua equipa preferem esconder-se atrás de um diferendo com a Scotturb ou com o governo acerca da linha do Estoril da CP do que criar modelos de governação da mobilidade dos Cascaenses na grande Lisboa.
Porquê? Porque dá trabalho e não dá a visibilidade necessária para apelar ao voto nas eleições!
Nos aspectos fundamentais estruturais, no que tenha a haver com o futuro a médio e longo prazo de Cascais, não se espere de Carreiras um cabelo branco nascido de pensar no assunto!
E é por isto que defendo uma solução alternativa para governar Cascais.
Infelizmente do lado da oposição todos os sinais apontam para que estão mais interessados nos lugares nas listas autárquicas e nos interesses dos seus Partidos do que viabilizar uma solução que salve Cascais do atoledo em que Carreiras e os seus colaboradores estão a criar na nossa terra.
Carreiras criou uma carripana com o CDS que ele próprio conduz sem carta e a oposição é incapaz de criar uma geringonça que faça regressar o ar respirável aos Paços do Concelho de Cascais. Uma geringonça que faça uma limpeza geral nas assessorias de militantes do PSD e do CDS que definham as contas da Câmara a pagar empregos que não correspondem a trabalho realizado e que resistam a repetir esse exemplo na futura governação do município.
Os dias passam, o tic tac dos ponteiros do relógio parecem antever a inevitabilidade de mais do mesmo.
Muitos candidatos a candidatos nas listas dos vários Partidos, a efémera glória de uma foto tipo passe num lugar de uma lista que nunca será eleito, muitos cabeça de lista derrotados mas eleitos para um mandato de quatro anos sem pelouros e Cascais a as suas gentes a servirem de estrada para a carripana passear uma classe que não tem?
Podem os Partidos da oposição fazer de conta que o que acabo de referir não é verdade, ou não é suficientemente importante para merecer uma abordagem de salvação de Cascais em que assumam uma postura de “vão-se os anéis mas ficam os dedos”?
Respeitar para se ser respeitado.

O Respeito dos Partidos da oposição pelos munícipes de Cascais vai suplantar os interesses dos Partidos e dos seus militantes ou vai ficar adiado por mais quatro anos?