terça-feira, 29 de junho de 2010

POLÍTICOS DE TIGELA INTEIRA...




... Porque já estou farto dos de meia tigela!



É uma expressão antiga mas tão actual.
Faço parte dos que ainda acredita que fazer política pode ser uma actividade nobre, pode e deve ser feita com elevação, sem "caceteirismo" e no respeito das ideias diferentes e das diferenças.
O problema que hoje vivemos na política é a quase total falta de ideologia, de modelos, de projectos alternativos de exercício do poder.
Alguém consegue hoje identificar bem o que divide ideologicamente o PSD do PS?
Eu, confesso militante do PSD, não sou capaz de identificar! Nem eu, nem ninguém no seu perfeito juizo!
Ou seja, acabo por ser do PSD por teimosia, por tradição ou porque é aqui que ainda encontro companheiros antigos de outros tempos de política.
É razão suficiente?
Para mim ainda é mas, os mais novos, como se sentirão atraídos para a nobre arte da política?
Alheiam-se da política ou votam nos de "discurso bonito" tipo Bloco de Esquerda!
E este é o problema fundamental da Política em Portugal.
Porque chegámos a este ponto?
Porque a esquerda e a direita se confundiram ou deixaram de fazer sentido, porque o "centrão" é um espaço amorfo e confuso onde se degladiam poucas ideias e muitos interesses!
Mas, no meu entendimento, a razão maior está na invasão do marketing no mundo da política e dos políticos.
Hoje já não é preciso ser.
É preciso parecer.
É preciso parecer sério, é preciso parecer ambientalista, é preciso parecer justo, é preciso parecer culto, é preciso parecer empreendedor, é preciso parecer popular, é preciso parecer erudito, mas... não é preciso ser nada disto!
Esta é a doença da política do século XXI.
De repente não é preciso defender um modelo de sociedade ou de organização, muito menos ter um como referência.
O que é preciso é dizer aquilo que "o povo" quer ouvir.
Não interessa nada se tal é possível de implementar porque o que interessa é ganhar as eleições e ocupar todos os cadeirões disponíveis!
O resto não interessa nada.
Dá-se o dito pelo não dito e todos engolem...
Lamentavelmente a nova geração de políticos (e não me entendam mal porque não estou a falar de idades!) não quer entender este problema e continua a fazer mais do mesmo.
Querem melhor exemplo do que o que se passou nas últimas eleições legislativas?
Um Partido Socialista a mentir com todos os dentes da boca ganhou a um PSD que resolveu fazer uma campanha eleitoral a explicar o que não queria fazer sem dizer uma única palavra sobre o que pretendia efectivamente fazer!

A política no futuro próximo só vai ter sucesso para os que arriscarem defender um projecto.

Conceber um projecto de sociedade e de organização do Estado e partir para a sua defesa junto dos eleitores.
Acima de tudo não ter pressa de chegar ao poder.
Esperar pelo reconhecimento da maioria pela bondade dos projectos apresentados.
Gastar todo o "latim" do mundo para convencer as pessoas e, chegado ao poder, cumprir escrupulosamente cada linha programática.
Claro está que uma atitude destas é muito má, incompatível mesmo, com os séquitos que se juntam ao poder ou ao projecto de poder.
Mas a verdadeira diferença far-se-á aqui.
Ou continuamos a seguir os políticos de meia tigela, ou partimos em busca dos de tigela inteira!


quarta-feira, 23 de junho de 2010

Vamos Acabar com as Empresas Municipais?...


Tenho ouvido nos últimos tempos alguns altos dignitários políticos portugueses, de vários quadrantes políticos, a insurgirem-se contra as Empresas Municipais e defendendo a sua extinção.

Este pseudo movimento defende que é nas empresas municipais que existe o desperdício, o emprego duvidoso, ou seja “os tachos”.

Sei que é fácil e está na moda dar pancada em tudo o que é municipal e público mas, manda a verdade, que não se tome a parte pelo todo e que se analise com profundidade o que são as empresas municipais, para que servem, as boas e as más, que medidas devem ser preconizadas, para garantir que são descontinuadas apenas as Empresas Municipais que não têm razão de existir.

Uma Empresa Municipal não é despesista, criadora de desperdício e de emprego fácil e falso só porque é empresa ou porque é municipal.

Se estivermos atentos vemos tantos exemplos de desperdício e de emprego fácil e falso nas Câmaras, na Administração Central e nas Empresas Públicas em geral que se torna falacioso pretender que as culpadas de todos os males sejam as Empresas Municipais.

Mas há Empresas Municipais que são uma fraude.

Há, com toda a certeza e eu conheço algumas.

No entanto também há Empresas Municipais geridas de forma irrepreensível, que cumprem a sua missão sem reservas e que são a demonstração de como se gere bem os dinheiros públicos.

Há um exemplo destas últimas, até porque estive ligado à sua génese, a EMAC – Empresa Municipal de Ambiente de Cascais que, fruto de uma gestão por objectivos e com critérios de mercado, cumpre desde 2006 de forma exemplar a recolha de resíduos e a limpeza urbana e garantiu à Câmara Municipal de Cascais uma poupança de 5.000.000 de euros por ano, comparativamente com a factura que a CMC pagava à SUMA. E com muito maior qualidade e eficácia!

Mas esta empresa tem uma particularidade que não se encontra muito em outras congéneres: O seu orçamento não é obtido como transferência directa do orçamento municipal!

A EMAC tem definidos para as várias actividades os seus preços unitários o que permite, em qualquer momento, que a CMC verifique, em consulta ao mercado, se os preços praticados são ou não favoráveis.

Mensalmente, em função das tarefas realizadas, são emitidas as correspondentes facturas para a CMC.

Este exercício obriga a que a gestão da empresa seja rigorosa, não despesista e exista um elevado controlo da produtividade.

É este o ponto fundamental: A fiscalização e o controlo da produtividade!

A maioria das empresas municipais seguem um critério mais simplista.

Qual departamento autónomo municipal, o seu orçamento é definido por transferência do orçamento municipal sem grande margem de gestão por parte das suas administrações.

Ora nestes casos, efectivamente mais parece que a empresa foi criada para fugir à burocracia das câmaras e para criar quadro de pessoal paralelo e autónomo.

As empresas Municipais fazem todo o sentido como ferramenta de gestão municipal para criar ligeireza de processos, para aproximar a gestão dos problemas, para premiar as competências e os objectivos atingidos.

Pois atente-se na sustentabilidade das empresas municipais, no valor acrescentado que representam, na sua coerência quando inseridas no mercado e, acima de tudo, fiscalize-se com eficácia a sua gestão e a sua produtividade.

“Coisas” como algumas das agências que Cascais criou, que não se percebe bem o seu alcance para além do emprego “especializado” que geraram, não fazem de facto sentido e dão razão aos que defendem que estas soluções são exemplos de despesismo e desperdício dos dinheiros dos nossos impostos.

Empresas como a EMAC de Cascais, a Tratolixo ou a Lipor no Porto, são exemplos de Empresas bem geridas nas suas áreas de negócio, apesar de serem municipais ou intermunicipais.

Para estas, não são justos os reparos que temos ouvido fazer sobre as empresas municipais. Até porque estas podem ensinar a alguns privados, pequenos, mas autênticos, milagres de gestão!

segunda-feira, 21 de junho de 2010

A Pensar em Cascais

Gosto muito de Cascais.
Nasci numa pequena localidade deste concelho e tive a grata oportunidade de durante uma boa parte da minha vida ter trabalhado por Cascais, ter lutado por Cascais e, desculpem a imodéstia, ter feito coisas boas em Cascais.
Irei aproveitar este espaço para abordar algumas delas mas acima de tudo para dar cor e letra a algum desassossego que esta terra me continua a induzir.
Desconfianças sobre algumas opções na gestão autárquica ou simples opiniões porventura divergentes do pensamento dominante.
Gosto muito de política.
E ainda gosto muito do PSD. Nem sempre gosto do que vejo e oiço, longe vão os tempos de 1983, altura em que me tornei militante deste Partido.
Mas não consigo ser carneiro.
Não abdico de pensar pela minha cabeça e agir pela minha consciência.
Gosto muito da actividade social.
Sou, há já mais de seis anos, dirigente do Clube de Futebol de Sassoeiros, o que a par das dores de cabeça que gerir "entidades por definição falidas" sempre proporcionam, a felicidade que obtenho dos pequenos sucessos alcançados por cada um dos jovens que pratica uma actividade desportiva naquele Clube é incomensurável.
Confesso que uma experiência deste tipo enriquece qualquer pessoa e passa a reconhecer melhor o significado da palavra solidariedade.
Gosto muito de rir.
Para alguns que lidam mais de perto comigo pode até chegar a ser aborrecido, sempre a piada, o segundo sentido, mas rir continua a ser o melhor antidepressivo!
Vou gostar de partilhar o que penso.
Das pessoas, da sempre minha terra Cascais, das coisas, da sociedade, da política.
Se de alguma coisa que aqui venha a escrever gostarem menos, antes de me chamarem nomes, ensaiem primeiro uma gargalhada.
Alivia, mexe não sei quantos músculos e dá um ar de que têm sentido de humor...