sábado, 17 de julho de 2010

NUTRICIONISTA PRECISA-SE!


Autarquias habituaram-se a “comer mal” e engordaram.

Presentemente estão feias, flácidas e cheias de celulite!

Onde é que vamos arranjar nutricionista para as “curar”?



Em 1992, numa reunião da Câmara Municipal de Cascais, onde fui autarca, apresentei um estudo com um vasto conjunto de sectores que defendia deverem abandonar a esfera directa da autarquia e que mereciam ser geridas sob uma perspectiva empresarial e eventualmente privada.

Defendia na altura que o papel primordial da Câmara deveria ser administrativo e de fiscalização mas a componente operacional deveria, sempre que possível, ter gestão de carácter empresarial, com capitais exclusivamente públicos ou não, dependendo das características do mercado.

Chamaram-me maluco e utópico!

No entanto, aquilo que eu considerava um exagero na altura, cerca de 1200 funcionários municipais, uma câmara que funcionava mal, que tinha uma produtividade miserável transformou-se hoje, volvidos 18 anos, numa câmara com cerca de 2200 funcionários, a EMAC (criada em 2006 com 450 funcionários já leva 550…) a ESUC, a EMGHA, a AR Cascais, a Empresa de Turismo do Estoril, a Fortaleza de Cascais, a Águas de Cascais e as Agências DNA, Cascais Atlântico, de Energia, Cascais Natura.

Não defendo despedimentos ou privatizações bacocas.

Mas há para mim uma verdade indesmentível: a produtividade e o “público” têm muita dificuldade em conviverem!...

Numa empresa não há contínuos. Quem precisa de fazer uma fotocópia levanta o rabo da cadeira e trata dessa “difícil tarefa de elevado conteúdo tecnológico”.

Na Câmara, na função pública em geral, como é que seria possível ter fotocópias sem contínuos?...

Nas empresas as viaturas ligeiras são conduzidas por quem precisa de se deslocar.

Nas autarquias motorista continua a ser um conteudo funcional muito procurado…

As autarquias têm pessoal a mais porque poderiam produzir o mesmo com muito menos pessoal que tivesse maior índice de produtividade e dedicação.

As autarquias poderiam produzir muito mais, com o pessoal que têm, se tivessem maior índice de produtividade e dedicação.

A resolução deste imbróglio passa por aqui.

Tal como existe o funcionalismo público, não há autarca, por mais competente que seja, que consiga transformar uma Câmara numa entidade produtiva!

A verdadeira solução estará na reestruturação dos serviços, na reorganização das competências municipais recorrendo a soluções empresariais, a criação de nichos de gestão focados em objectivos lógicos e que permitam, de forma transparente, avaliar o efectivo custo de cada alma trabalhadora e a sua produtividade.

Agora gerir esta mudança obriga a coragem, determinação e a definição clara de objectivos estratégicos, ou seja pensar alto, pensar longe.

Numa altura de vacas magras, considero ser o momento correcto para o início de uma revolução tranquila na forma de pensar o modelo autárquico vigente.

Os passos dados até hoje pela Câmara de Cascais nesta matéria não têm sido lineares.

Considero que a EMAC nasceu como um exemplo do que deveria ser a solução para as várias áreas operacionais da CMC (desculpem-me a imodéstia…).

Muito cuidado no início com o recrutamento – recrutar o estritamente necessário e promover a integral utilização dos recursos humanos existentes na CMC afectos a esta área.

Objectivos de produção definidos para todas as áreas permitindo avaliar a produtividade e poder aplicar prémios aos trabalhadores que ultrapassavam esses objectivos.

Hoje a EMAC é reconhecida como uma empresa de qualidade, com um serviço prestado à comunidade irrepreensível e por todos elogiado.

Este será no futuro o seu maior problema.

Em Cascais, agora sempre que há um fogo para apagar recorre-se à EMAC entregando-lhe mais e mais competências.

Erro fatal.

A EMAC já leva mais 100 funcionários, novas competências que nada têm a haver com o seu core business e qualquer dia terá tamanho e preocupações que a tornarão igual a uma autarquia – improdutiva, fomentadora de desperdício e incompetente.

Aquilo que começou como a empresa dos Resíduos e Limpeza Urbana hoje já faz jardins e qualquer dia alcatroa ruas e aprova projectos de arquitectura!...

É uma manifesta falta de visão estratégica e de gestão o que estão a fazer a esta empresa!

Outro exemplo, estranho, é a ESUC.

Aquilo que naturalmente deveria ser a “privatização do Serviço de Obras da CMC” resultou antes na criação de uma coisa ao lado, que compete com o Serviço de Obras Municipal e que serviu para aumentar a quantidade de pessoal afecto a estas tarefas em vez de ter servido para aumentar a produtividade do existente naquele sector da Câmara.

Critérios… ou a falta deles.

Há sectores da Câmara que engordaram imenso e, com a gordura, ficaram tolhidos de movimentos, onde estão dois e três porventura um a trabalhar em condições chegaria.

É preciso “empresarializar” as tarefas operacionais da Câmara.

Com determinação, é preciso criar condições para produzir mais e melhor com os mesmos recursos.

Sei que muitos olham com desconfiança para as empreas municipais, fontes de clientelismo e de ocupação profissional de boys.

Nalguns casos é verdade.

Mas ainda assim, continuo a preferir conhecer as caras da boa gestão de umas empresas e da má gestão de outras do que continuar a culpar a Câmara, a gorda e improdutiva Câmara!

terça-feira, 13 de julho de 2010

UMA DIETA LEVE PRECISA-SE!


A organização do Estado está carregada de gorduras.

O momento económico que atravessamos aconselha a que tomemos medidas como as que muitos decidem com a chegada do Verão:

Temos que fazer uma dieta que nos “adelgace a silhueta”!...

O Estado Português precisa e muito de encarar este Verão como se fosse o último em que pode brilhar de biquini!

Há empresas que não fazem sentido continuar na mão do Estado.

Outras acredito que sim, mas mesmo em relação a este tipo de decisão parece-me fundamental uma ampla discussão e consensualização.

Uma maioria significativa dos portugueses vai ter que se entender acerca disto.

Não faz sentido ora vender ora intervencionar consoante o vento esteja de norte ou de sul…

Mas acredito que uma parte do problema, aquele que mais nos assusta, esteja na utilização das empresas públicas como forma de mascarar e adiar o cumprimento de compromissos do Estado.

Veja-se o que se passa com o sector dos transportes.

Carris, CP, REFER, Metro de Lisboa, Metro do Porto são esconderijos de deficits de exploração brutais porque o Estado entende que os preços a praticar não devem ser reais mas sim subsidiados.

Só que depois “esquece-se” de o fazer…

Em termos empresariais por vezes podemos detectar algum deficit de produtividade.

Mas como a gestão tem o “pai” Estado para lá pôr mais dinheiro, nunca chegamos a perceber o que deste imenso buraco é gerado pela gestão da empresa e qual a parte respeitante à comparticipação do Estado que nunca chega.

E, porque nestas coisas de Administração de Empresas Públicas confunde-se sistematicamente competência com filiação partidária…

É uma pescadinha de “rabo na boca” o que, como diz o fado da ditosa Amália, é uma porcaria!

A história dos sectores estratégicos é outra história muito mal contada.

Se ter um Banco de referência, como a Caixa Geral de Depósitos, não me merece reparo, há sectores considerados estratégicos que me causam alguma estranheza.

Água é estratégico mas a energia não. Alguém me consegue explicar porquê?

Dou apenas o exemplo proveniente do grupo Águas de Portugal (águas, saneamento e resíduos sólidos) que é o exemplo acabado do que neste momento não faz qualquer sentido ter participação da Administração Central.

Quer a Águas de Portugal quer a EGF deveriam ter sido empresas “start up” de soluções em zonas onde as autarquias não tivessem massa crítica (técnica e financeira) para avançar sózinhas.

Mas, definida e financiada a solução, há muito deveriam ter saído de cena, até porque na área dos resíduos sólidos e nas áreas da água e do saneamento, há um conjunto importante de empresas privadas com qualidade para assegurarem um correcto desempenho do sector.

Faz algum sentido que em 2010 esteja a Tratolixo em bicos de pés para ser engolida pela EGF?

Ainda não chega de “nacionalizações”?!

E neste caso concreto, as Câmaras Municipais de Cascais, Mafra, Oeiras e Sintra, detentoras através da sua Associação de Municípios da totalidade do capital social da Tratolixo, estão-se a “auto-embarretar” se deixarem prosseguir este delírio saloio…

Os vários administradores existentes na ADP e na EGF saberão concerteza alinhavar um conjunto de razões para que tal aborto empresarial continue a existir.

Eu confesso-me incapaz de aduzir duas ideias que sejam para defender este disparate…

Mas o Estado, não é só a Administração Central e as suas Empresas Públicas.

Há um sector que contribui muito para a resolução de problemas ao nível local mas que contribui com alguma (nuns casos muita…) “gordura económica”:

As Autarquias e as suas Empresas Municipais.

Não gosto e não perfilho a existência de “verdades absolutas”.

Devemos analisar com cuidado porque há casos e casos…

Mas não tenho dúvidas, pela realidade que conheço bem das autarquias envolventes da grande Lisboa, que aqui há muita “gordurinha para derreter”!....