sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Cultura e Educação em Cascais – Uma imagem de marca!


Estamos habituados a “puxar da caneta” para escrever mal de alguém, de alguma coisa.

Está-nos no sangue, no código genético.

Já alinhavar algumas linhas para dizer bem, para elogiar algo ou alguém, já é um processo mais dificil e menos natural.

O meu último post foi orientado para a área da educação e volto hoje ao assunto para homenagear de forma verdadeira e sentida aquela que porventura será a melhor vereadora dos Pelouros da Educação e da Cultura que alguma vez passou pela Câmara Municipal de Cascais – Ana Clara Justino.

Julgo poder fazê-lo com propriedade até porque eu próprio detive essas responsabilidades entre 1986 e 1993, se bem que com intervalos.

Eram tempos diferentes, as estruturas eram quase inexistentes bem como os recursos financeiros e os recursos humanos afectos.

Mas, confesso, quando surgiu o nome de Ana Clara Justino como uma aposta pessoal de António Capucho para a lista autárquica em 2002, uma independente que ninguém no PSD conhecia, tive muitas dúvidas.

Se a passagem do Partido Socialista pela Câmara de Cascais pouco ou nada acrescentou ao nível da Educação, já na Cultura o socialista José Jorge Letria imprimiu um rumo novo, uma notoriedade ao trabalho cultural em Cascais que dificilmente seria possível suplantar.

José Jorge Letria trouxe à cultura em Cascais o elitismo, e rápido se transformou numa imagem de marca.

Tudo isto em contraponto a um trabalho anterior, desenvolvido por mim e por José Amorim, de carácter mais popular.

Ana Clara Justino pulverizou todas as expectativas e confirmou a razão da aposta de António Capucho.

Mulher de fibra, culta, tem uma capacidade de falar com o mais humilde habitante de Cascais ou com o mais galardoado prémio nóbel da literatura com a mesma assertividade.

Combativa, coloca na defesa das suas convicções toda a energia.

Não é uma “yes women” e isso tem-lhe grangeado alguns ódios de estimação por parte de alguns dirigentes locais do PSD que vêem nela uma perigosa livre pensadora…

Mas desenvolveu nos últimos já quase nove anos um trabalho notável.

Ao nível da Educação, a empatia gerada entre os protagonistas do processo educativo e Clara Justino promoveram uma importante revolução ao nível não só das infra-estruturas educativas mas muito principalmente ao nível de um sem número de iniciativas desenvolvidas com e para as escolas.

Há uma clara cumplicidade entre as escolas e a Câmara.

E isso é muito importante.

No que respeita à Cultura, Ana Clara Justino conseguiu um resultado inesperado: mantendo um rumo claro no desenvovlimento e afirmação de inúmeros eventos culturais de carácter mais elitista e para públicos mais específicos (não se notou a saída de José Jorge Letria e a entrada para o seu lugar de Ana Clara Justino!) reaproximou a actividade da Câmara das colectividades e do seu trabalho cultural de carácter mais popular, mas igualmente importante para o desevolvimento harmonioso da sociedade cascalense.

A recuperação do Património, a musealização de diversos espaços de Cascais, a política de promoção da leitura são só alguns exemplos do muito e importante trabalho desenvolvido por esta autarca de mão cheia.

Naturalmente que os recursos humanos da CMC nas áreas da Educação e da Cultura foram importantes para se alcançarem tantos sucessos.

Também é verdade que Ana Clara Justino soube motivá-los e torná-los parte da obra feita.

Esta é talvez a qualidade mais importante que se pode exigir a um autarca.

Ana Clara Justino, aceite o meu caloroso cumprimento pelo trabalho desenvolvido na Câmara Municipal de Cascais.

Mesmo com uma ou outra maldade, uma ou outra desconsideração, não esmoreça, antes transforme essas situações adversas num suplemento de energia para continuar a sua missão.

Cascais precisa do seu contributo!

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Conhecimento ou estatística?


Confesso a minha indignação pelo estado a que já chegou a educação em Portugal e preocupo-me com a recente notícia dada pela Ministra da Educação de que se irá caminhar para o fim dos “chumbos” no ensino obrigatório.

Afinal ainda era possível fazer pior!

A análise dos últimos 25 anos da educação em Portugal devia trazer-nos, enquanto cidadãos, bem preocupados com o caminho que leva o ensino e a educação neste país.

Roberto Carneiro, no final dos anos oitenta, foi o último grande Ministro da Educação que os sucessivos governos da república tiveram.

Homem de uma cultura extraordinária, conhecedor dos fenómenos da educação, comunicador nato, de uma simpatia e dinamismo contagiantes, foi claramente o motor de uma revolução na Educação que ficou a meio.

A revolução então pretendida exigia dinheiro, muito dinheiro, que infelizmente o Primeiro Ministro da altura, Aníbal Cavaco Silva, não queria ou não podia disponibilizar.

A saída de Roberto Carneiro do governo, com a “revolução da educação” a meio, foi o início do fim.

Confesso que ainda acreditei por momentos que a escolha de Marçal Grilo no governo de Guterres ou de David Justino no de Durão Barroso pudessem arrepiar caminho mas, por diversas razões, tal não se veio a verificar.

Nos Governos de Sócrates as coisas pioraram e muito.

A exigência, o conhecimento, a excelência, deram paulatinamente lugar ao porreirismo, ao facilitismo, ao laxismo.

Hoje, a Educação não se preocupa com o nível e a qualidade de conhecimentos dos alunos.

A única preocupação do Ministério da Educação está na forma como são arrumados os resultados estatísticos da Educação!

É uma completa farsa o que se está a fazer com a Educação em Portugal.

A escolaridade obrigatória foi alargada para o 12º ano, medida que se saúda, e depois a rede que serve para avaliar os conhecimentos dos alunos é transformada num imenso buraco por onde podem passar todos!

Estranho critério este.

Num país sem recursos como o nosso, a mais-valia que nos resta são as pessoas.

Mas, se em vez de as fazermos crescer em competências e conhecimento as tornamos cada vez mais banais, o que nos resta?

E que país é este onde os partidos da oposição em uníssono criticam a medida anunciada e são as organizações dos professores e dos pais que aplaudem a medida?

Mas estamos todos DOIDOS?

A Educação é um pilar do desenvolvimento da nossa Sociedade.

Os Portugueses não podem fazer de conta que não dão conta do que os nossos governantes estão a fazer à Educação em Portugal!

Sejamos todos exigentes. Exigentes com a qualidade do nosso ensino, exigentes com a forma como todos os intervenientes do processo são avaliados.

Prefiro viver num país em que as estatísticas na Educação são um bocadinho menos boas dos que as dos nossos congéneres da EU do que viver num País do faz de conta!...