quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

A Suspensão de Mandato de António Capucho…




Confesso a minha tristeza com a notícia de suspensão do mandato de António Capucho da Presidência da Câmara Municipal de Cascais, por motivos de saúde.
É um sentimento verdadeiro a que associo uma forte preocupação em relação ao futuro.
Ao futuro de Cascais.
Antes de mais preocupam-me as razões e quero, daqui destas linhas, desejar ao Dr. António Capucho o rápido restabelecimento da situação de doença em que se encontra.
Naturalmente, sucede na Presidência da Câmara o Dr. Carlos Carreiras, número dois da lista do PSD e até aqui Vice-presidente da Câmara.
António Capucho habituou-nos (aos militantes do PSD e do PP e aos munícipes de Cascais) ao rigor, à seriedade, à educação no trato, do mais humilde à mais ilustre condição, ao carinho por causas sociais, ao amor pelo fenómeno desportivo, ao sincero interesse pela Cultura, à defesa do ambiente e à sua entrega incondicional na defesa dos interesses de Cascais.
António Capucho sempre demonstrou grande elevação no relacionamento com todas as pessoas e uma exemplar isenção em todos os assuntos relacionados com o Município.
Cascais ganhou imenso com o trabalho desenvolvido por António Capucho nestes nove anos de mandato.
Cascais ganhou credibilidade, ganhou espaço, ganhou glamour, ganhou respeito.
Os munícipes de Cascais ganharam uma câmara agora virada mais para a qualidade e menos para a quantidade.
A diferença antes e depois de Capucho é colossal, para melhor.
Carlos Carreiras, a quem compete substituir António Capucho, neste seu impedimento, tem, como todos os mortais, qualidades e defeitos.
Tem uma capacidade de trabalho notável, é um autentico buldozer a empurrar tudo e todos para fazer acontecer as coisas e tem uma sensibilidade grande para a estratégia política. Identifica com facilidade os temas que deve transformar em bandeiras e tem uma grande agilidade racional que o torna um exímio jogador de xadrez neste grande e complexo tabuleiro que é a política.
Tem claramente aptidões para a liderança.
Mas tem algumas fragilidades na sua atitude comportamental e nas prioridades que define como objectivos pessoais a atingir.
Tem características algo absolutistas, não lidando muito bem com opiniões diferentes da sua. Por isso rodeia-se preferencialmente por “yes men” e tem como lema “quem não é por mim é contra mim”.
Na sua passagem por lugares de poder tem coleccionado autenticas purgas de regime, afastando todos quantos ousem ter uma opinião divergente.
São estas características que me provocam alguma preocupação neste período de substituição que pode, ou não, ser transformado em período de transição.
Pessoalmente não me revejo em atitudes absolutistas e acredito que a prazo são causadoras de revolta e necessidade de mudança.
É importante saber-se para onde se quer ir, é muito importante saber explicar o caminho a todos, mas é fundamental o toque de humildade no trato que transforma um homem num fora de série.
Carlos Carreiras já demonstrou por inúmeras vezes que não conhece o que é humildade.
Ontem, no Plenário do PSD, realizado no Hotel Miragem, em Cascais, fez mais uma demonstração disso mesmo, dessa sua incapacidade de lidar com a crítica.
Não me revejo neste tipo de liderança.
Prefiro a liderança inteligente, agregadora de todos os contributos válidos.
Não me revejo em “democracias musculadas ou algo policiais”!
Lamento, mas Carlos Carreiras, na minha opinião, não reune condições para assumir uma candidatura à Presidência da Câmara Municipal de Cascais.
Depois do que vi e ouvi no Hotel Miragem ontem, NÃO, DE CERTEZA!