segunda-feira, 29 de agosto de 2011

O Grande Elias

A Câmara Municipal de Cascais e muito particularmente o seu Presidente, Dr. Carlos Carreiras, estão de parabéns com o sucesso que representou para Cascais e para a sua marca o evento America’s Cup.
Evento com repercussões impressionantes em termos de acompanhamento nos órgãos de comunicação social e na internet foi uma excelente divulgação e promoção de Cascais como destino turístico.
Tendo ou não representado um forte investimento pelo município, seja em dotação financeira seja em prestação de serviços, a contrapartida obtida em notoriedade de Cascais foi certamente compensadora.
Não gosto do discurso miserabilista de em tempos de crise não se pode gastar dinheiro em Festa. Mas, acrescento, se é devida a necessária parcimónia nas despesas realizadas com dinheiros públicos sempre, em tempo de crise é fundamental que cada cêntimo seja bem avaliado sob pena do castigado contribuinte ficar com a sensação que entregou a gestão dos seus dinheiros a alguém que o toma como seu, gastando-o porque sim e não por causa fundada.
Dito isto regresso ao tema já abordado várias vezes, o meu entendimento que, por vezes, parecer existir uma inversão de valores e de interesses nas prioridades estabelecidas pela gestão camarária  em Cascais.
Recordo-me da sinopse do filme português, O Grande Elias, filme realizado em 1942 por Arthur Duarte com a magistral interpretação do saudoso António Silva .
A história de  uma família modesta (pai, mãe e filha) recebe generosas quantias de uma tia do Brasil que os julga ricos. Quando, um dia, chega a notícia da visita da tia do Brasil, tudo entra em polvorosa no sentido de manterem a mentira.
Esquecendo os parentescos, os munícipes de Cascais poderiam bem fazer o papel de tia rica e o Presidente de Cascais equiparar-se ao Grande Elias.
Quando olhamos para Cascais e para a sua gestão autárquica continuamos a assistir à divulgação de inúmeras iniciativas esplendorosas, cheias de glamour, mas que nos pode deixar a pensar qual o real interesse delas para a criação de bem estar nas populações que residem e trabalham em Cascais.
Algumas iniciativas, como a America’s Cup, favorecem a divulgação de Cascais como destino turístico e essa é, uma das principais actividades económicas do município, com muita gente a trabalhar na industria hoteleira e no comércio em geral.
Mas quanto custaram as Conferências de Cascais? Este evento, para além do prestígio alcançado nos órgãos de comunicação social, o que pode ter acrescentado aos seus munícipes, qual a mais valia gerada?
O exemplo das Conferências podia aqui ser repetido com muitas outras iniciativas que, tendo qualidade, sendo mais ou menos interessantes, cheiram a exagero quando são todas realizadas pelo mesmo município, com os impostos dos mesmos munícipes.
O Cool Jazz Fest, as Festas do Mar, são eventos que de tão empolgantes e cheios de qualidade, são caros e, em tempos de crise, aparentam desperdício de dinheiros públicos!
Há dinheiro para eventos faustosos mas depois parece faltar para a obra, para a melhoria das vias de comunicação, para o apoio às famílias carenciadas, o apoio às associações desportivas e culturais.
A Câmara toca a vida dos seus munícipes no que os apoia no dia a dia e não com glamour efémero!
Quando se fala em emagrecimento, em Cascais não há qualquer indício, o que nos deixa seriamente preocupados.
Devem os munícipes de Cascais confiar ou ficar preocupados?

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

E agora?

CMC está solidária com medidas draconianas do Governo ou simplesmente num mundo à parte?


Tenho acompanhado o corrupio de sinais dados por Pedro Passos Coelho no que respeita à contenção do desperdício no Estado e a diminuição da despesa.
Até agora, e sendo ainda cedo para uma análise fundamentada, parece existir o claro propósito de diminuir drasticamente o número de colaboradores de carácter político ao nível dos gabinetes ministeriais.
Esperam-se ainda fortes medidas ao nível da estrutura empresarial pública.
E nas autarquias? O que é que vai ser feito?
E em Cascais, agora liderada pelo Presidente da Distrital de Lisboa do PSD, homem que tem aparecido sempre com muita proximidade ao aparelho político do Partido do Governo, que medidas irão ser tomadas para sintonizar o poder local com o governo da Nação?
Ou vai ficar tudo como dantes, Quartel de Abrantes?
Em Novembro de 2010, a Câmara Municipal de Cascais, pela voz do actual Presidente, Carlos Carreiras, dava conta de um plano de reestruturação do universo empresarial do município de Cascais.
Na altura, tive a oportunidade de “postar” aqui a minha opinião negativa do plano apresentado. As medidas anunciadas eram, mais do que a racionalização das empresas e agências municipais, uma simples operação de cosmética, que pouco ou nada contribuíam para a diminuição efectiva da despesa não produtiva originada. Pior, foi claramente afirmado que a reestruturação não geraria despedimentos.
É um claro erro. Um dos problemas das múltiplas estruturas empresariais e agências de Cascais é que geraram emprego desnecessário e a reestruturação poderia ser uma “boa desculpa” para corrigir a mania das grandezas e ajustar o número de colaboradores  à dimensão do trabalho efectuado.
Seria interessante  a CMC disponibilizar no seu Portal, tal como o governo agora fez, a lista dos colaboradores recrutados nos últimos dois ou três anos para assessorias, para as Agências, para as Empresas Municipais com a indicação do valor da remuneração acordada e as respectivas ajudas complementares (uso de viatura, telemóvel, etc).
Até dou de sugestão que a lista fosse publicada por ordem alfabética, o que tornaria mais fácil identificar os assessores que têm contratos com várias empresas municipais e agências e tornava mais fácil perceber a totalidade dos rendimentos gerados pela múltipla actividade…
Com esta ajuda para a transparência, todos os munícipes passariam a ter uma melhor noção de onde são consumidos uma boa parte dos seus impostos…
Também da parte da Câmara de Cascais não percebemos se os colaboradores que agora usufruem de viatura foram já instruídos pela Administração Municipal de que deverão usá-la apenas para o serviço durante a semana ou se as restrições impostas por Pedro Passos Coelho se aplicam apenas aos Ministros e Secretários de Estado do Governo da Nação.
Sobre este tipo de assuntos silêncio total.
Poder-se-á pensar que este tipo de preocupações são mesquinhas e provenientes de invejas mal disfarçadas.
Nada de mais errado.
O exagero que se viveu em Cascais nos últimos anos levam a que cada vez mais tenhamos a consciência de saber discernir do que é fundamental e do que é acessório.
Com o estado das contas públicas, e o estado das contas públicas municipais, duvida-se que cheguem para o fundamental!
Porquê manter o acessório?