domingo, 2 de dezembro de 2012

DAR O DITO PELO NÃO DITO…

Na passada semana, Carlos Carreiras, em artigo de opinião publicado no Jornal i, assume uma feroz crítica ao Governo e muito especialmente ao seu muito dilecto amigo e ministro Miguel Relvas a propósito da reforma administrativa em curso.
Subscrevo e aplaudo as críticas formuladas por Carlos Carreiras.
Nem acho interessante colocar o enfoque na alteração profunda de opinião de Carlos Carreiras sobre esta matéria ao longo do último ano.
De defensor acérrimo da reforma, ao ponto de propor contra tudo e principalmente contra todos a sua aplicação em Cascais, com a redução de uma ou duas freguesias entre as seis existentes, até à recente defesa intransigente de não diminuição de freguesias e o ataque feroz à Unidade Técnica do Ministério que propõe a redução de freguesias em Cascais, Carlos Carreiras deu uma volta de 180 graus nas suas convicções expressas e assumidas.
Não me parece relevante.
Carlos Carreiras mudou de opinião.
E depois? Diz o velho ditado que só os burros não mudam de opinião, e Carlos Carreiras pode até ter muitos defeitos mas ser burro não é de certeza um deles!
Já a coerência de Carlos Carreiras, ajustar os actos às palavras, deixa muito a desejar.
Carlos Carreiras quer muito ser Presidente de Câmara de Cascais.
Para atingir esse objectivo, iniciou uma caminhada há sete anos e fez tudo o que estava ao seu alcance para tornar o objectivo realidade. Quando quase todos os passos foram dados, com nomeação deliberada pelo PSD como futuro candidato a Cascais, seria catastrófico para ele ser vitima da má imagem do Governo PSD e perder as eleições em Cascais.
Como S. Pedro com Jesus, Carlos Carreiras irá no próximo ano negar muitas mais vezes este governo.
Ora regressando à coerência de Carlos Carreiras,  o que torna o seu discurso  pífio é a constatação de que as palavras têm valor para ser aplicadas aos outros mas perdem relevância para ser aplicadas nos seus actos de gestão na Câmara de Cascais.
Carlos Carreiras apressou-se a fazer a fusão das Agências e das Empresas Municipais em Cascais mas, desse “corajoso” acto não resultou a redução nem de meio funcionário!
E se os há em demasia no universo da Câmara Municipal de Cascais…
Aquilo que deveria ser um esforço de racionalização de recursos resultou num brutal aumento de custos para mudar todo o estacionário e a imagem das novas empresas resultantes da atabalhoada fusão promovida.
Um amigo meu, jornalista, confidenciava-me ontem que era uma vergonha a Câmara de Cascais ter 40 funcionários contratados para fazer a revista que edita com periodicidade mensal para promover a imagem do actual Presidente da Câmara. Dizia mais, com 40 funcionários, há muito jornal diário que não os tem, contando com a Administração! Tem razão este meu amigo e acompanho-o na indignação. Mas, tenhamos consciência que existem 40 funcionários contratados para fazer uma revista mas a revista não é feita por esses 40 …
Neste frenesim de pagar favores com contratos de trabalho resultou muito “trabalhador indigente” em Cascais.
Acredito que entre Agências, Empresas Municipais, Assessores de Gabinetes do Presidente e de Vereadores há seguramente mais de 300 pessoas cuja produtividade é zero. Se cada um custar entre vencimentos, viaturas e telemóveis 14.000 €/ano podemos concluir que os nossos impostos estão a suportar um encargo superior a 4 milhões de euros por ano! É muito!
Mesmo com mudanças de opinião que se sintonizem com as da população, o objectivo Presidencial de Carlos Carreiras corre sério perigo.
Há quem defenda que a Política se faz com a defesa de ideias, com genuinidade e coragem de pensamento.
Os políticos de hoje, tendem a confundir isso com o dizer aquilo que a população quer ouvir. Isto não é política, é politiquice!
Carlos Carreiras com a ânsia cega de ser eleito em 2013, há muito que resvalou para a politiquice.
Tenho pena que o PSD em Cascais tenha sido tomado por politiqueiros…

domingo, 14 de outubro de 2012

“DÉJÀ VU”

Esta última semana deparei-me com notícias que me fizeram regressar doze anos atrás.

Uma primeira dando conta de alguma movimentação no Partido Socialista de Cascais pretendendo reeditar uma candidatura de José Luís Judas o que, fazendo fé numa entrevista que Judas deu a um jornal, tal estará muito longe dos seus objectivos.

Ainda bem para Cascais.

Oito anos de José Luís Judas em Cascais, já foram demais!

Mas a recordação do que foram os mandatos de Judas em Cascais e o aparecimento então de movimentos cívicos que, fora da lógica dos Partidos, lutaram por repor alguma ordem e decência no funcionamento da Câmara de Cascais e que, pela sua acção, ajudaram a criar a alternativa António Capucho, que sairia vencedora nas eleições de 2002, faz-nos ver o quanto a história se repete.

Então como hoje, tínhamos uma Câmara gerida para dentro de uma clique, de costas voltadas para os cascalenses, de costas voltadas para o eleitor.

Mas o mais ignóbil, o mais hipócrita disto tudo, é que Carlos Carreiras era um proeminente dirigente de um dos Movimentos que mais se bateu contra José Luís Judas, clamando por transparência, decência na utilização dos dinheiros públicos, que resolvesse os problemas que mais afligiam então os munícipes e que, passados doze anos, são os mesmos!

O MOVCASCAIS, assim se chamava o movimento, até uma proposta de revisão do Plano Director Municipal entregou em 2000, o que estranhamente, Carreiras em 12 anos não conseguiu fazer aprovar ou, também nesta matéria, mudou de opinião…

Tomo a liberdade de juntar o folheto para que todos possam partilhar mais este exemplo de FAZ O QUE EU DIGO MAS NÃO FAÇAS O QUE EU FAÇO!...

Do fervor de 2000 em que defendia a democracia, o respeito pela população ou a administração escrupulosa dos bens públicos fica-nos um Carlos Carreiras arrogante e agressivo, que faz prevalecer a sua vontade com a mesma força com que agride quem tenha opinião diversa, que desbarata os bens públicos em festas e fantochadas e faz tábua rasa da opinião das pessoas que administra.
 
Isto demonstra quanto é o desprezo que Carlos Carreiras tem pelo povo de Cascais. Prometeu, invocou ideais, disse de Judas o que Maomé não quis dizer do toucinho e afinal, detentor do poder, consegue fazer bem pior do que Judas, exibindo uma perigosa desconsideração pelas pessoas e pelas instituições.

É uma sensação de “Déjá Vu”.

A mesma incapacidade de perceber a vontade da população, pretendendo impor-lhe sem discussão o seu pensamento, a mesma displicência na resolução dos problemas que atormentam os Cascalenses no seu dia a dia, como a mobilidade e o trânsito, a reabilitação da economia do Concelho, ou a revisão do Plano Director Municipal espelhando um modelo de desenvolvimento para Cascais, são exemplos que se repetem e motivam o aparecimento de movimentos de génese não partidário que se substituam aos partidos na sua incapacidade de perceber que uma das virtudes da democracia é a possibilidade de cada um poder contribuir para a solução dos problemas da comunidade.

Os Partidos continuam empenhados em dizer que a culpa é dos outros, mas não têm capacidade para trabalhar com as populações as procuras das soluções, sintonizadas com a opinião efectiva da maioria dos que vivem e trabalham em Cascais.
 
Enquanto se brinca à democracia com os Orçamentos Participativos, enquanto é hipótese construir um “parque infantil para cães” antes de resolver o problema do financiamento da construção do Pavilhão de Sassoeiros onde mais de 350 jovens praticam modalidades desportivas, está tudo dito!
Mas, se as organizações políticas não querem, não podem ou não sabem envolver as pessoas na discussão e na resolução dos problemas da sua comunidade, pois que seja, de novo, a sociedade civil a fazê-lo!

Nesta linha, foi constituído um novo movimento cívico “Sentir mais Cascais” que pretende estudar e dinamizar soluções, participadas por todos, para os reais problemas de Cascais e da sua sociedade.

Deixo aqui dois votos sinceros:

Um primeiro, que a estes movimentos que surgem agora em Cascais esteja reservado o mesmo nível de sucesso que foi atingido em 2002;

Um segundo, que desta vez, aos movimentos estejam ligadas pessoas que sejam coerentes e verdadeiras, que não mudem de opinião quando e se alguma vez forem chamadas a pôr em prática aquilo porque se bateram quando participavam nos movimentos…

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

AINDA HÁ ESPERANÇA?


Muito se tem escrito sobre as mais recentes medidas de austeridade anunciadas pelo Primeiro Ministro na passada sexta-feira, mesmo antes do jogo da selecção nacional de futebol.
Na qualidade de militante do PSD confesso-me desapontado. Muito desapontado!
Eu tenho consciência que o país andou demasiado tempo a viver acima das suas possibilidades.
Eu sei que as prioridades do país foram mais ditadas pelas necessidades de obras a executar pelos grandes empreiteiros portugueses do que com as reais necessidades de infra-estruturas. Um bom exemplo do que acabo de afirmar, por ser tão caricato, foi a anunciada 3ª auto-estrada Lisboa Porto, ideia lançada ainda por Sócrates e que foi abandonada já pelo actual governo.
Mas, como em qualquer empresa, em qualquer família, quando aparece um deficit entre o que se gasta e o que se recebe, duas medidas podem e devem ser tomadas: analisar de que forma se podem aumentar as receitas ou verificar o que se pode cortar nas despesas.
Portugal, neste particular não pode ser excepção.
Sabemos todos que o Estado é hoje muito maior do que devia, comprometeu-se a fazer e a construir infra-estruturas que em rigor o país não tem dinheiro para sustentar, criou direitos e justas expectativas ao nível da educação e da saúde que custam muito dinheiro, o número de contribuintes activos é cada vez menor em comparação com o crescente número de pensionistas, enfim o panorama não é nada animador.
Quem estava mais atento ao que se passou, especialmente nos últimos anos de governo Sócrates, (mas não só!), poderá ter pensado, como eu, que Passos Coelho poderia ser o sinal de que este país precisava para corrigir a mão e colocar-nos num caminho de progresso.
Com um discurso inicial de encolher o Estado, assumir com frontalidade que era preciso fazer sacrifícios para recuperar a economia de Portugal e uma ideia inicial de que os sacrifícios era para todos sem excepção.
As primeiras medidas da troika vieram negar este princípio, caindo em cima do trabalhador por conta de outrem, especialmente os trabalhadores do Estado.
Os Partidos da oposição, o Presidente da República e o Tribunal Constitucional insistiram na necessidade da equidade, da distribuição dos sacrifícios por todos e com especial ênfase nos que melhor podem ajudar nesta altura de dificuldades.
Mas não!
Assistimos a mais um brutal aumento de impostos nos desgraçados do costume: os trabalhadores por conta de outrem!
Enquanto militante social democrata deveria estar a usar estas linhas para convencer os meus leitores de que estas são as únicas medidas possíveis mas, porque antes de ser militante sou um homem, português, com consciência e com alguma noção do que deve ser o serviço público, só consigo dizer que estou desapontado e que o Governo actual é afinal mais do mesmo que criticámos ao Governo anterior.
Ao fim de alguns meses, onde pára a fúria reformista, as medidas de redução do Estado, as privatizações?
Baixar os custos do Estado significa despedimentos em empresas públicas, na administração pública, nas empresas municipais, nas câmaras municipais. Não o fazendo, todos vamos continuar a ser sacrificados nos nossos impostos para pagar uma máquina que funcionava melhor com menos 20 ou 25% do pessoal que tem.
São clientelas, especialmente as que vivem penduradas nos municípios. Valem votos. Tenha-se a coragem de pensar primeiro no todo, de mostrar uma ponta de respeito pelos sacrifícios que estão a ser exigidos aos portugueses!
Mas há um tique irritante na nossa classe política actual que me provoca um profundo desprezo. Esta gentinha, depois de se apanhar no poleiro, parece que passou a fazer parte de uma casta que não está obrigada aos mesmos deveres de cidadão e que os sacrifícios exigidos aos outros não lhes devem ser aplicados.
Exemplos?
Tenho muitos.
O escândalo das pensões vitalícias dos senhores deputados. Não se percebe como homens e mulheres com quarenta anos podem ter direito a uma pensão vitalícia após 8 anos como deputados, a maioria das vezes sem terem desempenhado essas funções em exclusividade sequer. É vergonhoso que a classe política no seu todo, da esquerda à direita, não tenha ainda colocado um ponto final neste roubo autorizado!
Ex Presidentes da República com direito a pensão vitalícia, escritório, secretariado, viatura… porquê? Corta-se a eito nos rendimentos dos pensionistas, alguns deixando-os no limiar da subsistência e cria-se uma classe de pensionistas especiais de corrida? Alguns, como Mário Soares ou Jorge Sampaio, sempre a distribuir lições de democracia, não percebem o ridículo em que caiem cada vez que abrem a boca?
A vergonha a que temos assistido nos últimos meses em Cascais à forma desbragada como se utilizam os dinheiros dos nossos impostos em Festas e mais Festas e ainda mais Festas é, na conjuntura em que vivemos, um caso claro de polícia!
Os portugueses em geral e os que pagam os seus impostos em Cascais, não acham estranho que numa conjuntura de grande sacrifício, se desbarate dinheiro em espectáculos de hora e meia que custam o suficiente para alimentar muitas famílias em dificuldades?
A conclusão que consigo tirar é que afinal a classe política é a mesma, muda de rótulo mas é a mesma, indiferentemente seja do partido A, B ou C, com os mesmos tiques, com o mesmo desrespeito pelo cidadão que os elege.
A ética, a justiça, a equidade, são conceitos que fazem parte da história da democracia mas que não estão a ser praticados.
Antigamente tentava-se levar para a política os cidadãos que eram exemplo.
Hoje, tiramos dos políticos, o exemplo do que não queremos que os nossos filhos sejam!
Chamem-me tolo, mas eu ainda acredito na integridade de Passos Coelho. Temo é que se não se livrar urgentemente dos Relvas, dos Carreiras, dos Luzes que o acompanham, vai ficar na história como mais um de muitos que só se serviram, mas não serviram para nada!

domingo, 2 de setembro de 2012

EU ACREDITO...



Há uns anos, o PSD de Cascais lançou um slogan que tinha alguma piada e tinha a capacidade de ser motor de uma certa dinâmica de vitória, envolvendo a acção de António Capucho à frente dos destinos da Câmara de Cascais – EU ACREDITO!
Ricardo Leite, então Presidente da concelhia do PSD de Cascais, não sei se foi o autor do slogan, mas é dele que guardo recordação do seu uso em todas as situações em que fazia lógica o seu uso.
Ricardo Leite é hoje deputado da nação, reconheço que na essência um bom deputado, alguém que se mostra muito interessado, especialmente na temática da saúde, que domina, mas que sente a necessidade de dar contas a quem o elegeu sobre o trabalho que desenvolve no Parlamento, a sua preocupação em contactar os eleitores e marcar presença nos mais variados locais, em suma, um deputado à maneira antiga e de que se vê muito pouco hoje em dia!
EU ACREDITO que a maneira de fazer política é só uma, com total dedicação ao interesse público, disponibilidade total para prestar contas da acção política aos eleitores, servir a comunidade sem cair na tentação de se servir!
Sem ter pretensões de conhecer de forma rigorosa a totalidade dos governantes ou dos deputados, EU ACREDITO que outros saberão ser, em funções de serviço público, merecedores de idêntico reconhecimento ao que acabo de fazer a Ricardo Leite.
Mas, infelizmente, conheço muitos deputados, governantes e autarcas que não se encaixam nesta definição, antes exibem uma despudorada utilização abusiva da sua condição de eleito, com um total desprezo por quem o elegeu!
Miguel Relvas é um caso que merece que utilizemos “dois ou três” parágrafos para analisar.
Acredito que apenas tenha aproveitado uma frincha legal para a sua licenciatura relâmpago e que na essência a legalidade não tenha saído beliscada.
Já a legitimidade, essa desvaneceu-se à velocidade da luz…
Lembro-me muito bem o quanto me custou fazer 53 cadeiras semestrais para concluir a minha licenciatura em Engenharia no Instituto Superior Técnico e por isso tenho muita dificuldade em conviver com o conceito das “Novas Oportunidades”…
Mas há um aspecto que não entendo, e esse prende-se com a moral e a ética política, que nos dias de hoje parece ser uma ciência da antiguidade grega…
Miguel Relvas ainda não percebeu o mal que está a fazer ao PSD, ao Governo e ao Primeiro Ministro Pedro Passos Coelho, agarrando-se ao poder e transportando para ele uma infindável fonte de anedotas e piadas?
De que espera para apresentar a demissão?
A dança de cadeiras nas próximas eleições autárquicas é outro exemplo do quanto urge o regresso da ética e da moral à política nacional.
É ver os autarcas “pseudo” vencedores chegados ao limite legal de se candidatarem no município onde foram eleitos pelo menos três mandatos a mudarem de armas e bagagens para outro, contrariando, com o beneplácito do PSD e do PS, o espírito da lei que pretendeu delimitar o número de mandatos dos Presidentes de Câmara.
É uma farsa, uma trapaça eleitoral que se prepara com o maior dos despudores!
Aborrece-me solenemente verificar que o pensamento ético que parece ter abandonando o PSD apenas se mantém ainda no CDS – PP, único Partido que demonstra sérias dúvidas à dança das cadeiras…
Daqui a minha homenagem para os Homens como Rui Rio, que chega ao fim do seu terceiro mandato de cabeça erguida e com trabalho feito sem colocar qualquer hipótese de se transferir para outro município.
Em Cascais, a ética e a moral são miragens que não se vê forma de fazer renascer sem desconstruir o actual modelo de poder.
Todos os representantes dos partidos com assento na Câmara Municipal de Cascais estão envolvidos nas teias das benesses e interesses criados por Carlos Carreiras e não se vê forma nem vontade de aparecer um movimento interno num dos Partidos que permita contrariar o caminho, perigoso, que o poder em Cascais está a trilhar.
O divórcio existente entre o poder e os eleitores é manifesto.
A existência de “filhos” e “enteados” em Cascais é tão evidente que se torna chocante!
EU ACREDITO na democracia.
Quem acredita como eu, só pode estar preocupado com os momentos que vivemos no País e em Cascais! 

quarta-feira, 4 de julho de 2012

CASCAIS TEM UM NOVO ESTILO!

Definitivamente Cascais tem um novo estilo.
O Presidente da Câmara Municipal de Cascais, Dr. Carlos Carreiras, tem investido milhares e milhares de euros a criar esse novo estilo com o dinheiro dos contribuintes.
O virtual tomou conta do real.
A aposta na imagem, no filme, na reportagem, nos mega eventos, espectáculos para todos os gostos, tudo à escala grande, tudo com muito glamour.
Muitas Conferências, muitos Colóquios, muita mas mesmo muita publicidade e o resultado está à vista: Cascais tem um novo estilo!
Com toda esta dinâmica seria de esperar que o entusiasmo dominasse a população cascalense e contagiasse a região com um misto de inveja e admiração.
Na década de 90 Isaltino de Morais conseguiu esse efeito na região da grande Lisboa e mesmo em todo o país.
Mas não é isso que se está a passar.
Até pelo contrário.
As práticas seguidas por Carlos Carreiras e os seus colaboradores enfermam de um pecado que nem toda a gente está disposta a aceitar – a sobranceria, a soberba com que são brindados todos os que não partilham da “certeza” e da “bondade” das opções do autarca ou mesmo pontualmente possam assumir alguma crítica, mesmo que construtiva.
Seja num discurso, no Facebook ou numa reunião de Câmara, qualquer crítica, qualquer reparo, merece intervenção imediata do novel Presidente de Câmara, acalorada, contundente, com agressividade desproporcionada, a raiar o mal criado – É o novo estilo de Cascais!
Mas a comparação que atrás deixei com Isaltino de Morais tem uma diferença abissal. Isaltino granjeou o reconhecimento e o apoio dos seus munícipes com obra. Isaltino transformou o município de Oeiras num centro de excelência, procurado pelas maiores empresas para instalar ali as suas sedes. Renovou o tecido urbano, melhorou brutalmente as infra-estruturas viárias do concelho, resolveu alguns antigos problemas de mobilidade no concelho, preocupou-se com as pessoas, com os seus problemas, com as suas necessidades. E as pessoas, os seus munícipes reconheceram-lhe esse trabalho e retribuíram com o seu voto.
Em Cascais o mais próximo disto é o slogan já estafado de “Cascais elevado às pessoas”. Um mentira monumental!
Carlos Carreiras não está minimamente preocupado com os problemas dos seus munícipes. Acha até mesquinho que lhe venham falar em mobilidade e acessibilidade, em apoios às colectividades e às IPSS, na  necessidade de uma urgente revisão do PDM, ou num esforço de reabilitação do tecido económico do concelho. Resolver o problema de trânsito, dotar o interior do concelho com estradas sem buracos e com passeios, isso não dá notícia de jornal nem entrevista em Televisão!
Carlos Carreiras está mais preocupado com os donos das Harley Davidson que visitaram uma vez Cascais do que com os proprietários dos Fiat Uno que todos os dias “sobrevoam” o esburacado asfalto de algumas ruas do concelho de Cascais.
As vozes dos que já perceberam o logro em que se caiu em Cascais começam a engrossar fileiras.
Embora se viva num clima de medo de expressar opinião, (não é por acaso que algumas das vozes críticas não se lhes conhece os donos) começam a proliferar movimentos cívicos, blogues e comentários que circulam na internet, em redes que se vão ampliando de seguidores.
Ignorar os movimentos cívicos como Grupo Ser Cascais ou a Associação Cívica Sentir Mais Cascais, os blogues 
Agenda Cascais 31 
pensamentos desblogueados,  
Oeiras mais atrás, 
Estoril a 1000, 
Consciência Crítica,  
Ou Tourada Portugal,  
será um erro crasso para Carlos Carreiras e para o PSD.
Aos Movimentos Cívicos faltará certamente o dinheiro que não falta ao Presidente da Câmara de Cascais para fazer campanha mas em contrapartida sobra razão a esses mesmos movimentos.
Nas próximas eleições autárquicas vence a razão ou o dinheiro continuará a ditar a lei?

terça-feira, 5 de junho de 2012

DINAMIZAR CASCAIS: ASSIM?


A Câmara Municipal de Cascais tem vindo a anunciar diversas medidas que pretendem dinamizar o comércio e a actividade económica em geral no concelho e especialmente na vila de Cascais.
O objectivo é meritório, merece aplauso a prioridade estabelecida pelos responsáveis autárquicos mas o  caminho seguido merece-nos muitas dúvidas quanto à sua eficácia.
Algumas das ideias anunciadas parecem ser, no entanto, ou notícias mal tratadas pelo jornalista ou são mesmo peças de um puzzle de um certo embuste da opinião pública.
Atente-se neste caso que junto a título de exemplo.
São referidas  nesta notícia duas situações que vale a pena escalpelizar.
Um primeiro aspecto é a fusão de empresas municipais com o objectivo de “racionalizar a gestão e captar o investimento estrangeiro”.
Para mim continua a ser um mistério a fusão da ETE (Empresa de Turismo do Estoril) com a ArCascais (Aeródromo Municipal de Cascais) e a Fortaleza de Cascais (empresa que gere a Piscina Municipal de Abóboda). O que podem ter em comum é de facto uma incógnita. A promoção do turismo, a gestão de uma infra-estrutura aeroportuária e a gestão de piscinas  é uma autentica salada russa.
O perfil do gestor de uma empresa destas deve ter que falar línguas, saber voar e nadar,…
O que se vai  conseguir dinamizar no meio desta amálgama empresarial é um segredo bem guardado nos Paços do Concelho!
Já a parte da notícia que refere que Cascais vai passar a receber barcos de cruzeiro, deixa-nos um conjunto de interrogações para as quais temos muitas dificuldades em encontrar respostas transparentes.
Um primeiro conjunto de perguntas remete-nos para a fiabilidade de uma operação deste tipo e a possibilidade de ter as necessárias autorizações.
Todos sabemos que o Porto de Lisboa tem o exclusivo para estas operações e dispõe das infra-estruturas necessárias para a recepção deste tipo de navios.
 É sabido que o Porto de Lisboa não pratica as taxas mais baratas do mercado mas também é conhecido que nos últimos anos tem subido a procura de Lisboa como escala deste tipo de navios. A que título abdica a Administração do Porto de Lisboa de receber em Lisboa alguns destes navios? Aceita que seja estabelecida alternativa com fuga ao pagamento das taxas portuárias?
E a Capitania do Porto de Lisboa vai permitir que barcos de cruzeiro passem a fundear ao largo de Cascais e possam fazer a “trasfega” de passageiros para embarcações mais pequenas?
E as condições de segurança? Não estaremos a aligeirar?
Que imagem vão ter esses passageiros de Portugal e de Cascais? Nem um “mísero” porto para poder sair do barco por uma rampa como em todos os outros portos por onde passam?
E o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras aceita que os passageiros possam desembarcar em Cascais sem qualquer tipo de controle nos casos em que não sejam oriundos do Espaço Shengen?
Considero que, a bem da transparência, seria importante explicar melhor como este negócio está a ser montado, quem são os intervenientes, quem autorizou e em que condições, que vantagens tiram todas as partes envolvidas.
É muito importante saber se é apenas uma empresa ou se são várias que estabeleceram este “acordo” com o Município de Cascais, quem é ou são os detentores dessa(s) empresas, há ou não investimentos a fazer pelo município de Cascais.
Nos corredores dos Paços do Concelho correm muitos rumores sobre “este negócio”. A bem da transparência era muito importante que fosse explicado. Bem explicado!
A ideia de trazer estes  visitantes a Cascais é meritória, como medida de dinamização do comércio local mas, convenhamos, era importante que a imagem deixada aos visitantes fosse a melhor.
O primeiro exercício que deveríamos fazer era a avaliação das condições que temos para oferecer aos visitantes e se conseguimos garantir a sua satisfação com o que vai encontrar. 
O desembarque, tal como está planeado, não parece ideia promissora...
E que tipo de comércio temos nós para oferecer na zona central da vila de Cascais? Não seria interessante fazer um esforço para fazer regressar as grandes marcas ao centro de Cascais, as lojas de souvenirs, o artesanato? Queremos os visitantes a entrar em Cascais para comer uns hambúrgueres e comprar uns brindes nas lojas chinesas?
O município de Cascais de há mais de vinte anos que tem sido muito descuidado no planeamento do tecido comercial da vila, os investimentos absurdos em Centros Comerciais acabaram por deslocalizar a oferta comercial no concelho e assistiu-se a uma certa desertificação comercial do centro de Cascais. Hoje a Rua Frederico Arouca, a Av. Valbom, o acesso à baía e o Largo Camões estão longe da pujança que já tiveram. 
Sem essa valência resta alguma oferta cultural, com o núcleo museológico muito interessante na envolvência da Cidadela de Cascais. Será suficiente?
Resta-me colocar uma última pergunta: não seria mais vantajoso negociar com as empresas turísticas que detêm os programas de cruzeiros e garantir a realização de roteiros do Porto de Lisboa em direcção a Cascais em autocarros e evitar o aspecto terceiro mundista de transferência de passageiros de barco para barco ao largo de Cascais?  Para os operadores dos cruzeiros poderá ser mais barato mas é esta a imagem que queremos deixar de Cascais junto dos turistas que nos visitam?

sexta-feira, 18 de maio de 2012

DEMOCRACIA NÃO É ISTO!


Antes de mais quero afirmar a minha pouca apetência para a Tourada e para os espectáculos com touros.
Entendo que é um emblema nacional, é um evento com interesse turístico, encerra uma actividade económica que ainda tem alguma expressão e tem ainda muitos e bons seguidores em Portugal.
Pessoalmente acho o espectáculo um pouco bárbaro em relação ao trato do animal mas respeito quem gosta e reconheço que há ainda muita gente que gosta deste tipo de espectáculos.
Enquanto não me obrigarem a ver touradas todas as semanas por mim está tudo bem…
Se pensarmos com rigor, se não quisermos levar a hipocrisia longe de mais, a tourada é tão bárbara e tem os mesmos resultados que a actividade de um matadouro ou de um aviário. Que eu saiba, os que comem carne ainda são em muito maior número dos que os que se renderam ao vegetarianismo!
Ultrapassadas as sensibilidades dos defensores dos animais, neste caso os touros, analisemos o que se passou recentemente em Cascais com a atitude do Presidente da Câmara de Cascais em relação ao projecto apresentado pela APTL, Associação Pró Toiros da Linha.
Só tenho uma palavra para definir o que se passou: GROTESCO!
O Senhor Presidente da Câmara de Cascais dá-se ao luxo de, numa rede social, fazer afirmações que demonstram estar eivado de sentimentos autocráticos dignos de alguém de apelido Castro ou Morales mas, convenhamos, Cascais é em Portugal, não em Cuba ou na Bolívia!
Democracia, por definição, é o exercício do poder por delegação do povo, mas sempre em seu nome.
Ora, que se saiba, a maioria da população de Cascais não se expressou contra ou a favor das touradas pela simples razão de que não foi consultada para tal.
As palavras de Carlos Carreiras demonstram, para quem ainda tinha dúvidas (não é o meu caso…) que não reúne condições para exercer o poder democrático em Cascais em nome dos munícipes, pela simples razão de que insiste em confundir o interesse da comunidade, a vontade e a diversidade dessa mesma comunidade, com a sua opinião pessoal das coisas!
Uma atitude como esta, não é relevante pelo assunto em si mas pelo que demonstra ser a forma de actuação do Dr. Carlos Carreiras!
Carlos Carreiras não gosta de touradas e portanto não será incluído na estratégia de desenvolvimento de Cascais a construção de uma Praça de Touros!
Mas seguindo o seu raciocínio será que não gosta de gays, podendo antecipar-se que os mesmos venham a ser banidos da sociedade cascalense?
E de cidadãos de etnia africana será que são tolerados por Carlos Carreiras ou poderemos esperar alguma medida de segregação em Cascais?
E sendo ele sportinguista convicto, será expectável a proibição de utilização de bandeiras do Benfica dentro do território do Município?
E se algum dirigente de uma IPSS local ou de uma colectividade desportiva ou cultural não for do agrado de Carlos Carreiras, pela cor do cabelo ou dos olhos, será que essas mesmas instituições não poderão receber os apoios municipais?
A primeira condição para um líder de um município é saber ser o denominador comum dos variados interesses da comunidade que deve representar, mesmo e especialmente quando esses interesses são antagónicos.
Deve por isso ser tolerante e aceitar a diversidade.
O contrário é a negação do que se espera da gestão de uma instituição democrática!
Carlos Carreiras foi eleito na lista liderada por António Capucho, não se conhecendo que tenha submetido no processo eleitoral qualquer tipo de condições ou ideias fracturantes sobre este ou qualquer outro assunto que permita sentir-se legitimado para tomar atitudes deste calibre.
Mesmo assim sente-se legitimado para o fazer!
Imagine-se o que será se, sendo o candidato do PSD nas próximas eleições autárquicas, augurar conseguir sair vitorioso!...

terça-feira, 15 de maio de 2012

COMEÇAR DO ZERO


A política Nacional em geral tem-me deixado algo céptico em relação ao nosso futuro como País.
Os grandes e bons políticos foram ao longo dos tempos afastando-se ou sendo afastados pelos seus pares e hoje, de uma maneira muito transversal a todos os Partidos sem excepção, há uma mediania confrangedora nos nossos políticos com uma ou outra excepção que só serve para confirmar a regra.
Se me causa preocupação e desânimo o que se passa a nível nacional, a nível local considero que a situação que se vive é não só muito preocupante como pode deixar sequelas graves na terra onde nasci – Cascais!
O facto de já ter sido autarca (embora no século passado…) e de ter assumido funções de gestão e administração em empresas municipais e intermunicipais criou em mim, embora racionalmente tente convencer-me que não sou o salvador do mundo e que não vale a pena lutar contra moinhos de vento, um sentimento muito forte que nutro por este cantinho à beira do mar, entalado entre a Sintra e Oeiras, e de que não consigo alhear-me, ou simplesmente ficar quieto, perante o que lá se passa.
Cascais, salvo a imodéstia que esta afirmação possa transparecer, também tem um bocadinho de mim e sinto, como desígnio pessoal, que tenho que, na exacta medida das minhas forças e capacidades, lutar por devolver a dignidade que Cascais e as suas gentes merecem.
Os actuais protagonistas políticos locais deixam, no campo dos princípios, muito a desejar.
Nos primórdios eram os “homens-bons” que eram chamados a desempenhar funções de gestão autárquica.
Os outros homens-bons eram muitas vezes chamados a pronunciar-se sobre temas de interesse local e regional e parecia existir uma gestão democrática ou pelo menos participada pelos líderes de opinião. O enfoque estava sempre colocado no interesse da comunidade, o interesse público.
Hoje o sistema é gerido nos antípodas desta realidade.
Actualmente a gestão em Cascais é feita não seguindo o primado do interesse da comunidade mas antes sobre a “ditadura” do marketing político eleitoral com um principal e destacado objectivo: a eleição do actual Presidente de Câmara num novo mandato de 4 anos.
Ora o interesse público não pode passar pela subjugação aos interesses individuais de uma pessoa ou de um grupo!
Os dinheiros que se estão a gastar de forma desbragada para promover o Dr. Carlos Carreiras fazem falta para resolver problemas graves na comunidade cascalense. Em tempos de parcos recursos temos que ser parcimoniosos e contidos nos gastos. Acrescento eu, seja em tempos de vacas gordas ou de vacas magras, não é aceitável que os recursos que são de todos não sejam aplicados para benefício de todos!
Esta forma de gestão em Cascais tem criado coisas manifestamente reprováveis.
A gestão hoje não espera contributos de ninguém. Os líderes de opinião locais são calados e por vezes até incomodados quando se atrevem a opinar.
Preparam-se algumas simulações de democracia, como é o triste exemplo do Orçamento Participativo, mas em que se garante sempre o controlo das opiniões.
Em muitas situações, está-se ao nível do que de pior aconteceu nos tempos da ditadura!
Não acredito, nem aceito, que a gestão da minha terra possa ser feita com base em verdades absolutas, o poder decide e os cidadãos obedecem, a opinião das pessoas não interesse!
A democracia tem que ser reinventada.
Os Partidos que souberem ler estes sinais terão a vantagem de poder continuar a participar no poder e na gestão da coisa pública.
As pessoas, os munícipes, fartos de tanto desmando e de más decisões em seu nome, estão a ficar fartas!
As associações cívicas vão ser chamadas a ter um papel preponderante na reinvenção da democracia e da participação dos munícipes nas decisões que são tomadas na gestão da sua terra.
Pessoalmente antevejo a criação de uma dinâmica de reavaliação dos processos políticos, a necessidade de democratizar o pensamento e a definição de soluções para o desenvolvimento local, quer em termos económicos, quer sociais quer mesmo ambientais!
O poder vai ter que voltar a ser exercido com as pessoas e para as pessoas.
Isto acontece, não porque se afirma anedoticamente até à exaustão que temos uma “câmara elevada às pessoas” mas porque temos que poder garantir que as pessoas passam a ter voz nas decisões, os líderes de opinião nas colectividades, nas IPSS, no comércio local, são chamados a participar no processo de  tomada de decisão e não apenas para ir cantar loas ao Presidente!
O Poder autárquico vai ter que focar de novo os seus objectivos, voltar a dar a primazia às pessoas e às intervenções a fazer no território e na organização dos espaços, para dar resposta às suas necessidades com vista a viver com qualidade em Cascais.
Os autarcas vão ter que encontrar respostas ao crescimento da qualidade social dos habitantes de Cascais, saber agilizar os investimentos e os apoios para a educação, a actividade cultural e desportiva e a criação de apoios aos mais carenciados. Mas vão ter também que encontrar soluções para revitalizar o crescimento económico do concelho, criar condições efectivas para o ressurgimento de oportunidades de emprego e ordenar o território de forma a que essas respostas surjam em condições adequadas de crescimento sem pôr em causa a sua qualidade ambiental. Também a mobilidade dentro do território de Cascais e as suas ligações com os concelhos limítrofes têm que ser revistas e melhoradas sob pena de aí residir um aspecto claramente atrofiante do desenvolvimento económico pretendido.
Ora este tipo de intervenções não se fazem por inspiração divina.
Já começamos todos a estar fartos de salvadores!
É preciso envolver as pessoas, fazê-las sentir parte da solução. Só com uma gestão participada por todos, em que a todos é permitido o contributo e a opinião se consegue efectivamente criar uma dinâmica imparável rumo ao sucesso e ao desenvolvimento harmonioso social, económico e ambiental.
Lamentavelmente, não sinto condições para que tal venha a acontecer em Cascais com os actuais protagonistas políticos, nomeadamente do PSD.
Carlos Carreiras e a sua equipa estão a comportar-se como eucaliptos, nada consegue florescer à sua volta, excepto os próprios eucaliptos!
Resta aos mais inconformados encontrar alternativas que permitam corrigir este tipo de situações.
Pela minha parte estou disponível para contribuir para mudar algo em Cascais…




terça-feira, 3 de abril de 2012

AINDA A SITUAÇÃO FINANCEIRA DA CÂMARA DE CASCAIS




Num texto editado no passado dia 13 de Fevereiro referia aqui alguma preocupação com a saúde financeira da Câmara Municipal de Cascais e com a forma pouco pensada e algo temerária como se estava a fazer a gestão financeira da CMC.
Recentemente, novos dados vieram agravar, e muito, as preocupações com este tema.
A Ordem dos Técnicos Oficiais de Contas editou o Anuário Financeiro dos Municípios Portugueses referente a 2010 que, pelo que se vê de Cascais, não indicia nada de bom.
Quero aqui deixar uma referência prévia de que não estou nada preocupado com o conceito de ranking nacional. O melhor ou o pior município do País sobre seja qual for o aspecto, terá sempre uma importância relativa.
Cada município tem realidades diferentes, tem necessidades diferentes, o estágio da resolução dos problemas mais pertinentes dessas populações são também muito diferentes pelo que ser primeiro ou último de per si pouca importância tem.
Já a análise substantiva dos números pode e deve deixar os cascalenses preocupados.
A independência financeira, calculada pelo rácio receitas próprias/receitas totais tem vindo a diminuir. Em 2008 chegou a ser 80% para passar em 2010 para 70%.
De um passivo exigível em 2006 de 35 milhões de euros chegámos a 2010 com um montante de 92,7 milhões. Para um município que tem um orçamento de 170 milhões…
Quando analisada a liquidez, Cascais é das autarquias em pior condições (logo a seguir a Lisboa e Portimão!) com um valor negativo em 2010 no montante de – 60.267.735 €.
A evolução verificada desde 2006 é assustadora e corrobora o que temos afirmado acerca da “gestão?” financeira da Câmara de Cascais neste último mandato.
Evolução da liquidez
2006
2007
2008
2009
2010
5.326.508 €
14.463.299 €
13.948.160 €
- 33.856.777 €
- 60.267.735 €

O município de Cascais apresenta ainda, a acumular com esta situação, problemas graves com algumas das empresas municipais e um problema gravíssimo e de contornos ainda muito nebulosos com a empresa intermunicipal Tratolixo, cujas responsabilidades são imputáveis em 30% à Câmara Municipal de Cascais.
Atente-se no quadro seguinte, referente ao passivo exigível:
Passivo exigível
Empresas Municipais e Intermunicipais
empresa
Valor (€)
Responsabilidade da CMC (€)
Tratolixo
151.406.095
45.421.828
EMAC
13.096.692
13.096.692
ESUC
8.043.153
8.043.153
ETE
3.875.540
3.875.540
Ar Cascais
894.992
894.992
Fortaleza
156.605
156.605
Total

71.488.810
Fazendo uma conta simples, verifica-se que a totalidade do Passivo Exigível da Câmara Municipal de Cascais (CMC + EM’s + EIM’s) é superior a 164 milhões de euros!
Estes números, pelas informações que dispomos, têm-se vindo a agravar.
Estes mesmos números contrariam as afirmações dos responsáveis do município de Cascais que não se cansam de afirmar que Cascais tem uma situação financeira muito boa!
Não sendo financeiro, não é essa a minha formação, mas podia vir o prémio Nobel da Economia dizer que Cascais tinha uma excelente situação financeira que eu não acreditava!
Mas a grande questão, aquela que nos faz pensar que o futuro de Cascais pode ser gravemente comprometido, prende-se com a catadupa de notícias que têm vindo a lume, dando como certo um vultuoso e diversificado investimento da CMC em aquisição de diverso património.
É a aquisição do Hospital António José de Almeida e a bateria da Parede,
é a Residencial Pasi,
são os terrenos junto ao aeródromo de Tires e do autódromo do Estoril,
A compra do velho hospital de Cascais;
Protocolo para encontrar terreno para a construção do campus de Economia da Nova;
- São as PPP com a CMC a responsabilizar-se pela Construção de Esquadras da Polícia e a  aquisição de viaturas e material informático para as forças de segurança;
Onde é que o Município de Cascais vai arranjar dinheiro para isto tudo?
Há uma clara costela megalómana no actual Presidente da Câmara de Cascais ao querer ser o primeiro, o melhor, o mais eficaz, o mais empreendedor, o mais amigo do Governo, o mais visionário!
Ter ideias, ter vontade e dinamismo são ingredientes fundamentais para construir um bom Presidente de Câmara.
Mas, ser ponderado, rigoroso e cauteloso na gestão financeira também.
Só as três primeiras, é curto, muito curto. E perigoso, muito mas mesmo muito perigoso!