domingo, 14 de outubro de 2012

“DÉJÀ VU”

Esta última semana deparei-me com notícias que me fizeram regressar doze anos atrás.

Uma primeira dando conta de alguma movimentação no Partido Socialista de Cascais pretendendo reeditar uma candidatura de José Luís Judas o que, fazendo fé numa entrevista que Judas deu a um jornal, tal estará muito longe dos seus objectivos.

Ainda bem para Cascais.

Oito anos de José Luís Judas em Cascais, já foram demais!

Mas a recordação do que foram os mandatos de Judas em Cascais e o aparecimento então de movimentos cívicos que, fora da lógica dos Partidos, lutaram por repor alguma ordem e decência no funcionamento da Câmara de Cascais e que, pela sua acção, ajudaram a criar a alternativa António Capucho, que sairia vencedora nas eleições de 2002, faz-nos ver o quanto a história se repete.

Então como hoje, tínhamos uma Câmara gerida para dentro de uma clique, de costas voltadas para os cascalenses, de costas voltadas para o eleitor.

Mas o mais ignóbil, o mais hipócrita disto tudo, é que Carlos Carreiras era um proeminente dirigente de um dos Movimentos que mais se bateu contra José Luís Judas, clamando por transparência, decência na utilização dos dinheiros públicos, que resolvesse os problemas que mais afligiam então os munícipes e que, passados doze anos, são os mesmos!

O MOVCASCAIS, assim se chamava o movimento, até uma proposta de revisão do Plano Director Municipal entregou em 2000, o que estranhamente, Carreiras em 12 anos não conseguiu fazer aprovar ou, também nesta matéria, mudou de opinião…

Tomo a liberdade de juntar o folheto para que todos possam partilhar mais este exemplo de FAZ O QUE EU DIGO MAS NÃO FAÇAS O QUE EU FAÇO!...

Do fervor de 2000 em que defendia a democracia, o respeito pela população ou a administração escrupulosa dos bens públicos fica-nos um Carlos Carreiras arrogante e agressivo, que faz prevalecer a sua vontade com a mesma força com que agride quem tenha opinião diversa, que desbarata os bens públicos em festas e fantochadas e faz tábua rasa da opinião das pessoas que administra.
 
Isto demonstra quanto é o desprezo que Carlos Carreiras tem pelo povo de Cascais. Prometeu, invocou ideais, disse de Judas o que Maomé não quis dizer do toucinho e afinal, detentor do poder, consegue fazer bem pior do que Judas, exibindo uma perigosa desconsideração pelas pessoas e pelas instituições.

É uma sensação de “Déjá Vu”.

A mesma incapacidade de perceber a vontade da população, pretendendo impor-lhe sem discussão o seu pensamento, a mesma displicência na resolução dos problemas que atormentam os Cascalenses no seu dia a dia, como a mobilidade e o trânsito, a reabilitação da economia do Concelho, ou a revisão do Plano Director Municipal espelhando um modelo de desenvolvimento para Cascais, são exemplos que se repetem e motivam o aparecimento de movimentos de génese não partidário que se substituam aos partidos na sua incapacidade de perceber que uma das virtudes da democracia é a possibilidade de cada um poder contribuir para a solução dos problemas da comunidade.

Os Partidos continuam empenhados em dizer que a culpa é dos outros, mas não têm capacidade para trabalhar com as populações as procuras das soluções, sintonizadas com a opinião efectiva da maioria dos que vivem e trabalham em Cascais.
 
Enquanto se brinca à democracia com os Orçamentos Participativos, enquanto é hipótese construir um “parque infantil para cães” antes de resolver o problema do financiamento da construção do Pavilhão de Sassoeiros onde mais de 350 jovens praticam modalidades desportivas, está tudo dito!
Mas, se as organizações políticas não querem, não podem ou não sabem envolver as pessoas na discussão e na resolução dos problemas da sua comunidade, pois que seja, de novo, a sociedade civil a fazê-lo!

Nesta linha, foi constituído um novo movimento cívico “Sentir mais Cascais” que pretende estudar e dinamizar soluções, participadas por todos, para os reais problemas de Cascais e da sua sociedade.

Deixo aqui dois votos sinceros:

Um primeiro, que a estes movimentos que surgem agora em Cascais esteja reservado o mesmo nível de sucesso que foi atingido em 2002;

Um segundo, que desta vez, aos movimentos estejam ligadas pessoas que sejam coerentes e verdadeiras, que não mudem de opinião quando e se alguma vez forem chamadas a pôr em prática aquilo porque se bateram quando participavam nos movimentos…