segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

ESTRATÉGIA? ZERO!

Temos hoje uma classe política medíocre porque os cidadãos portugueses há muito tempo desistiram de fiscalizar e sancionar a actividade dos políticos.
Não é razoável que umas eleições aconteçam sem que exista um claro programa de actuação dos vários candidatos para o mandato a que se candidatam.
Não é razoável que um político prometa uma coisa e, depois de eleito, se atreva a fazer exactamente o contrário.
Não é razoável que um político que não tenha cumprido o que se comprometeu executar em campanha, ou que tenha mesmo feito exactamente o contrário do prometido, consiga ser reeleito em eleição seguinte sem que lhe seja infligido pelos eleitores o castigo merecido!
Em Portugal temos muitos exemplos disto, só para recordar dois de Partidos diferentes, Durão Barroso e José Sócrates, ambos criticaram a carga fiscal, ambos prometeram não promover aumentos da carga fiscal, todos sabemos o que ambos acabaram por fazer!...
Isto é possível em Portugal, no governo da Nação, nos governos regionais ou nas autarquias.
Porquê?
Porque há muito tempo a esmagadora maioria do povo português desistiu de exercer o seu direito de cidadania, ou confunde esse direito com o mero acto de decidir votar ou não votar sem que o faça de forma consciente, utilizando o seu voto para castigar a incompetência ou a falta de rigor no cumprimento do prometido.
Claro que a organização política vigente em Portugal não ajuda a que tal aconteça. A ditadura das cúpulas partidárias, a impossibilidade de votar em pessoas em detrimento de partidos ou coligações, acaba por contrariar o exercício consciente da cidadania.
Os portugueses estão reféns do bloco central partidário, do bloco central dos interesses!
É fácil perceber a verdadeira dimensão do que acabo de afirmar quando fazemos o exercício de analisar de que empresas vieram os governantes dos últimos vinte e cinco anos e a que empresas foram parar depois de abandonarem o governo…
Mesmo a abertura tímida às candidaturas independentes acabam por, na esmagadora maioria dos casos, transformar-se em veículos para a eleição de ex políticos partidários que não se viram reconduzidos pelo Partido para nova candidatura. Poucos são os casos de candidaturas independentes que sejam uma emanação clara da sociedade civil a querer introduzir uma praxis política diferente.
Em Cascais, embora existam vários movimentos independentes, existe já uma candidatura independente à Câmara Municipal de Cascais.
O futuro próximo dirá se teremos no confronto eleitoral algo de novo que envolva os munícipes e se comporte de forma séria, ou se teremos apenas mais variedade de escolha para o “prato habitual”…
O PSD fez uma péssima escolha para candidato à Câmara.
Carlos Carreiras já deu mostras mais que suficientes que representa tudo de mau que a política nos trouxe nos últimos trinta anos de democracia.
Cascais, por mais notícias pagas que digam o contrário, está sem projecto, sem estratégia!
As estratégias que têm vindo a ser implementadas em Cascais nos últimos três anos nada têm a haver com Cascais, com os seus munícipes ou  com as suas empresas,  todas as estratégias, que custaram alguns milhões de euros aos bolsos dos contribuintes, têm apenas um objectivo: garantir a eleição de Carlos Carreiras para mais um mandato autárquico!
Não há uma ideia que defina aquilo que se pretende que Cascais seja nos próximos dez anos, nos próximos vinte ou nos próximos trinta!
Não há uma política para o Ambiente!
No que respeita aos Resíduos Sólidos Urbanos, a ausência de estratégia vai custar uns largos milhões de euros ao município, ou seja, aos munícipes. E esta história bem precisa de ser contada aos quatro ventos porque já se entrou na fase de “enxotar as culpas para o passado”!
É bom que a culpa não morra solteira e se torne claro, transparente, quem desempenhou que papeis neste enterro. Não se pode confundir o bombeiro do INEM que tentou reanimar o doente com o cangalheiro que lhe propiciou o enterro!
Não há uma política de planeamento urbano!
Esta espera pela revisão do Plano Director, o planeamento tipo ventoinha, dependente das “oportunidades” que aparecem, parecem sempre ser não um planeamento mas um oportunismo. E os benefícios da “oportunidade” nem sempre são transparentes!
Aquilo que era preciso saber, que tipo de ocupação do território se pretende, ninguém sabe, ou melhor se diga, quase ninguém…
Não há uma política de desenvolvimento económico do concelho!
Parece que estamos condenados a viver do empreendedorismo e das universidades à beira mar ou do parqueamento de paquetes.
É muito pouco, para um concelho com as pretensões de Cascais. Muito pouco mesmo!...
Por outro lado a indiferença que a Câmara apresenta relativamente ao pequeno comércio de rua é constrangedor. Parece que o único papel que o município deve desempenhar é o da extorsão, da cobrança infindável de taxas para todos os gostos, esquecendo que este comércio é (ainda…) o rendimento e o emprego para muitas famílias de munícipes!
Não há uma política de transportes e comunicações!
Não há uma ideia nem para os grandes problemas, nem para os pequenos nem para os assim assim.
A rede viária principal não parece ser uma prioridade. Cada dois mandatos vão dando à luz cerca de 1 Km o que nos leva a ter que esperar mais uns cinquenta anos a fazer fé no ritmo implementado.
Os problemas de circulação, os constrangimentos viários, estão todos por resolver. Parece que Carlos Carreiras não percorre as ruas de Cascais, a sua rede viária, não sente a prioridade de resolver convenientemente estes problemas.
Os acessos à A5 em Cascais e em Carcavelos/S. Domingos de Rana, a estrada S. Domingos de Rana – Mem Martins, o acesso a Oeiras pela estrada da Lage, a rotunda do Leclerc em S. Domingos de Rana, são exemplos de grande importância que os utentes valorizam todos os dias que lá perdem mais de uma hora das suas vidas.
É um problema para os munícipes mas, aparentemente, não o é para Carlos Carreiras!
A ausência de uma política de estacionamento ao serviço da animação do comércio é outra situação incompreensível. Parece que apenas conta a caça aos euros dos parquímetros e o exercício de bloquear carros. Como política de estacionamento é curtinho, convenhamos!...
Podíamos fazer um exercício idêntico para o Saneamento e o Abastecimento de Água, a Saúde, a Acção Social, a Educação, a Cultura, o Desporto, os Espaços Verdes, o que tornaria este texto ainda mais fastidioso e confirmava a ideia base que pretendo afirmar: Cascais não tem estratégia!
É mau para todos se as próximas eleições autárquicas não servirem para fazer a diferença.
É mau para todos e para Cascais, se voltarmos a permitir que seja eleito um executivo camarário que não tenha apresentado um programa de actuação transparente e objectivo para o seu mandato!
Podemos todos, ou pelo menos a maioria, continuar a brincar à democracia, participando alegremente na votação de projectos do orçamento participativo tipo parque infantil para cães, enquanto permanecem com aspecto terceiro mundista os arruamentos do Bairro da Cruz Vermelha ou da Adroana.
Mas eu prefiro acreditar que chegou a hora de assumirmos a responsabilidade do exercício sério e condigno da cidadania!