quarta-feira, 28 de agosto de 2013

O EUCALIPTO DE CASCAIS



Há alguns padrões morais que me perseguem desde a infância e que me condicionam o comportamento enquanto pessoa.
Mal ou bem os meus pais educaram-me na necessidade de respeitar os outros, não fazer aos outros o que não gosto que a mim me façam, e a viver com o que ganho com o meu trabalho, nem mais um tostão.
Uma educação com princípios morais leva-nos a fazer por vezes um exercício de auto avaliação, uma espécie de exame de consciência.
Não é fácil estarmos sempre de acordo com o que dizemos e fazemos mas também não conheço ninguém suficientemente perfeito para atirar a primeira pedra.
Quem tem estes princípios morais tem que aprender a viver com as suas fraquezas e enfrentar um processo de “melhoria contínua”…
Mas há quem não seja assim.
Essa é a conclusão que sou levado a tirar após a leitura do artigo hoje publicado no Jornal i, atribuído a Carlos Carreiras.
No artigo, com título sugestivo de “O eucalipto da Europa” discorre-se um conjunto de ideias sobre Angela Merkel nomeadamente o seu papel cinzento ou negro em relação à Europa e ao seu futuro e a importância das eleições na Alemanha.
Quanta analogia podemos nós fazer em relação a Cascais e às próximas eleições autárquicas.
Troque-se Merkel por Carreiras, Alemanha e Europa por Cascais, e temos um quadro com tantas semelhanças que assusta!
Quem consegue fazer a análise sobre os outros de forma tão assertiva é uma pena não ser capaz de na mesma medida o fazer sobre si mesmo e a sua ação!
Carlos Carreiras prepara-se para ser a Merkel de Cascais: Um forte eucalipto que irá secar tudo à sua volta.
E se lhe sobra em política falta em humanismo, se tem uma vontade imensa de se afirmar como líder incontestado, não faz o mínimo esforço de o ser pela razão optando sempre pela força.
Carreiras quer ser líder, quer ter o poder, mas não tem paciência nem perseverança para o ganhar no reconhecimento e confiança dos seus pares, usurpa-o!
Faz-me muita confusão, (ou talvez não…) que homens reconhecidos democratas de sempre, como Francisco Balsemão ou Marcelo Rebelo de Sousa, aceitem como bom este modelo de exercício de poder. Mas a vida empurra-nos a fazer coisas que no nosso perfeito juízo provavelmente não faríamos…
As próximas eleições serão capitais na definição do futuro de Cascais.
Carreiras já demonstrou em muitas situações nos últimos anos que o seu objetivo principal pouco ou nada está relacionado com Cascais e as suas gentes. O seu objetivo principal e único é a obtenção do poder. E não julguem que lhe chega ter poder, para Carreiras o poder tem que ser absoluto.
Demonstrou uma falta de respeito pela história de Cascais ao apagar a marca Estoril, um desrespeito avassalador pelo munícipe contribuinte pela forma como esbanja dinheiro em Festas e Conferências de utilidade duvidosa, o fulgor e o dinheiro gasto na “reorganização” das empresas municipais para apagar toda e qualquer marca de António Capucho, a forma despudorada como criou uma máquina dentro do universo da Câmara para trabalhar não em prol de Cascais mas em prol de Carreiras! Operadores de Câmara, aprendizes de jornalistas, uma horda de novos empregos pagos pelo erário público que não foram gerados pelas necessidades de servir os munícipes e Cascais.
Já pensaram que com menos 300 boys pendurados no orçamento, menos Festas e Conferências, muito provavelmente era possível fazer mais obra e diminuir os impostos e as taxas cobrados pelo Município, aliviando a corda que nos faz o garrote a todos em Cascais? E isso provavelmente não iria gerar mais endividamento do município?
Tenho a firme convicção que Carreiras também já pensou nisso mas está-se borrifando! A horda faz-lhe falta, são trezentos votos, e as Festas e as Conferências dão para pagar muito favor e esconder muita despesa…
Mas em democracia o povo tem o poder de através do voto poder fazer valer a sua vontade.
No entanto, o país e o município em que vivemos tem feito muito pouco para que se mantenha a vontade de participar no ato eleitoral.
A educação cívica, a utilização do poder com ética, teriam sido fundamentais para manter a chama da participação ativa das pessoas nas decisões sobre o seu futuro e na nomeação dos seus representantes. Não foi isso que tivemos, infelizmente.
Mas, entrar em negação não vai corrigir este problema. Temos que procurar usar o voto para mudar este estado de coisas. E se os políticos mentirem e nos defraudarem as espectativas temos de usar de novo o voto contra eles!

Baixar os braços significa não só deixar crescer um eucalipto em Cascais mas pior, transformar isto tudo num imenso eucaliptal!