sexta-feira, 7 de agosto de 2015

UM CONTRIBUTO PARA BARALHAR

Uma prévia declaração de interesses:
Nutro simpatia por Pedro Passos Coelho, com quem tive a oportunidade de privar nos gloriosos tempos da JSD e mais tarde eu como Presidente do Conselho de Administração da Tratolixo e ele como Administrador de um grupo que detinha um Aterro Sanitário com quem a Tratolixo manteve negócios.
A serenidade do Pedro sempre me inspirou, gostava da sua maneira de ver e estar na política e a forma assertiva como enfrentava os problemas e tomava decisões.
Quando da sua caminhada rumo à Presidência do PSD estive na apresentação do seu livro e, embora não concordando com todas as teses nele contidas, relevei a coragem de assumir uma opinião sobre os temas, tão em desuso nos nossos dirigentes partidários.
Mas infelizmente houve um momento que me causou um profundo incómodo e me fez decidir pelo não apoio da sua candidatura. Quando verifiquei quem eram “os meninos e meninas” que se perfilavam como sua entourage, Relvas, Carreiras, Pinto Luz e quejandos, percebi que a esperança estava praticamente perdida.
Infelizmente tive razão.
Ainda valeu uma última réstia de esperança que a determinação e convicções firmes de Pedro Passos Coelho se sobrepusessem às más influências do “pessoal dos bastidores” mas não foi isso que aconteceu.
Pedro Passos Coelho podia ter marcado a diferença para uma nova forma de fazer política, em nome de Portugal e dos Portugueses e não em nome de mesquinhos e obscuros interesses, mas não foi isso a que assistimos.
Momento alto para ter marcado esta diferença foi no início do mandato.
Deveria ter optado por chamar o PS, então vergado pelo peso da derrota eleitoral alcançada, e tratar de encontrar um denominador comum ao bloco central dos interesses para os grandes temas nacionais.
Que projeto de país, que solução para a Segurança Social, que modelos para a Justiça, a Educação e a Saúde, são questões que não podem ser alvo de mudanças estratégicas de 4 em 4 anos!
Isto são assuntos estruturantes para o país e exigem um amplo consenso nacional! 
Acreditei que Pedro Passos Coelho tivesse a coragem de, mesmo contra os galos da sua capoeira, conseguir colocar em primeiro lugar os interesses do país.
Mas não.
A opção foi explorar até à exaustão a culpa, o passado, o que estava mal e por culpa de quem, e o país teve que esperar…
Mais do mesmo.
E isto leva-me ao seguinte raciocínio:
Nem no PSD, nem no CDS ou no PS existem pessoas com a capacidade de colocar os interesses do país á frente dos seus próprios interesses ou do Partido em que militam.
Esta é a razão por que não acredito na bondade do voto útil.
Para mim o conceito do voto útil é completamente inútil e nocivo para o futuro do País.
Resolver Portugal, o V Império esperado por Pessoa, vai ter que ser construído fora da lógica dos Partidos do “centrão”!
A matemática diz-nos que um conjunto de pequenos bocados, somados, pode ser igual à unidade.
Tentemos desta vez dar voz aos Partidos sem experiência parlamentar. Tentemos votar pelas propostas que nos façam e não na perspectiva da sondagem que aponta que vai ganhar A, B ou C!
Se formos exigentes, se soubermos sair da nossa zona de conforto e nos envolvermos na solução, acredito que é possível colocar este País outra vez nos carris.
Há pequenos Partidos com propostas engraçadas, bem pensadas.
Há soluções interessantes para a reorganização do estado, para a alteração da lei eleitoral, para a educação, para a saúde, para o ambiente. Se já estamos habituados que as propostas dos Partidos do arco governativo nunca são para cumprir, porque não experimentar diferente desta vez?
E atente-se que 50% do eleitorado já deixou de ir votos. E se uma boa parte decidir voltar ao exercício do seu direito inalienável de votar e votar fora dos Partidos do arco do poder?
Poderia estar aqui a refundação da nossa apodrecida democracia…
Baralhar as contas no Parlamento pode bem significar que o povo português possa finalmente tirar o “pé do penico”…
Vamos experimentar?