domingo, 4 de dezembro de 2016

RESPEITAR PARA SER RESPEITADO




Fui educado, desde pequeno, a respeitar os outros para eu próprio ser respeitado.
E não gosto, não gosto mesmo, quando tentam fazer de mim parvo.
A gestão política de Cascais tem seguido o caminho tortuoso de nos fazer a todos passar por parvos.
Conseguirá?
2017 o dirá.
Mas passemos os olhos sobre alguns factos.
Carlos Carreiras tem feito uma gestão centrada no parece que é, no imediatismo do foguete, muito focada em garantir os votos necessários no próximo acto eleitoral para perpetuar o seu poder mas com total ausência de respeito pelos seus munícipes.
O respeito demonstra-se falando verdade.
O respeito demonstra-se colocando os interesses da comunidade em primeiro lugar e não os do seu Partido e os seus próprios, sejam eleitorais, financeiros ou outros.
O respeito demonstra-se aceitando as diferenças, aceitando as regras da democracia.
O respeito demonstra-se discutindo argumentos com humildade.
O actual edil de Cascais criou um estilo na Política, baseado na sobranceria, na irascibilidade e na prepotência que transformou Cascais em 3 castas:
- Os brancos, seguidores incondicionais de Carreiras,
- Os pretos, a escumalha que não gosta ou que discute as orientações e as decisões de Carreiras, habitualmente apelidados de “velhos do Restelo”,
- Os cinzentos, a maioria dos munícipes de Cascais que estão indiferentes a tudo isto. Tanto se lhes dá que seja Carreiras, um artista de uma novela ou o Papa porque partem do princípio que os Políticos limitam-se a defender os interesses dos seus Partidos e deles próprios.
Lamento dizer aos da casta dos cinzentos que esse alheamento só faz perpetuar nos meandros do poder o tipo de pessoas que abominam.
Só com o exercício pleno da democracia é possível virar esta página de história negra de Cascais. E a democracia faz-se participando, votando, ou votando noutro candidato quando aquele em que se votou na última vez não cumpriu as expectativas!
Esta lenga lenga pode levar o leitor a dizer que o “Velho do Restelo” que escreve estas linhas só sabe dizer mal.
Não é verdade. Sou capaz de referir aqui um conjunto de medidas e acções levadas a a cabo por Carreiras e pela sua equipa merecedoras de aplauso.
A reclassificação das praias merece aplauso. O incremento das ciclovias merece aplauso. O programa de hortas comunitárias merece aplauso. O apoio prestado à educação merece aplauso. A obra realizada na Feira e no Mercado de Carcavelos merece aplauso.
Mas a esmagadora maioria destas pequenas obras, destes pequenos investimentos, são feitos a pensar no imediato, a pensar na angariação de votos para as próximas eleições. Poucos ou nenhuns tiveram como principal objectivo cumprir a melhoria de Cascais e das suas gentes.
E depois veem as meias verdades e os quartos de verdade.
O prolongamento da A5 parece ter atingido o objectivo de melhorar o acesso a Cascais. Mas preocupa-me o que vai surgir por trás do painel publicitário a cantar loas ao trabalho de Carreiras!
O que Carreiras fez com o Plano de Pormenor de Carcavelos Sul não tem desculpa. Se mais nada houvesse, esta era razão suficiente para criticar e pretender afastar do poder em Cascais o obreiro material da aprovação de tal crime urbanístico!
As bravatas feitas com a aquisição de imóveis do Estado para safar o governo do PSD com dinheiro dos contribuintes de Cascais é miserável.
As aventuras das expropriações por valores inferiores de mercado como a que foi feita no terreno da Business School em Carcavelos é uma esperteza saloia do mais estúpido que se possa imaginar. Ganhar os louros da obra agora e deixar a fatura para os outros que vierem pagar! Política no tom mais ordinário que se conhece!
O Orçamento Participativo, de uma boa ideia para apelar à participação dos munícipes e ensaiar algo parecido com a democracia direta transformou-se num jogo de sorte ou azar, numa espécie de concurso. Lamentável, ver Bombeiros, colectividades ou escolas envolvidos numa caça ao voto quando devia ser a Câmara a tratar desses assuntos por mais elementar justiça!
O modelo de estacionamento pago e a mobilidade em Cascais é um dos exemplos mais gritantes de repúdio por uma larga maioria da população de Cascais mas Carreiras segue em frente como se nada fosse. Sobre a mobilidade muito haveria a dizer mas Carlos Carreiras e a sua equipa preferem esconder-se atrás de um diferendo com a Scotturb ou com o governo acerca da linha do Estoril da CP do que criar modelos de governação da mobilidade dos Cascaenses na grande Lisboa.
Porquê? Porque dá trabalho e não dá a visibilidade necessária para apelar ao voto nas eleições!
Nos aspectos fundamentais estruturais, no que tenha a haver com o futuro a médio e longo prazo de Cascais, não se espere de Carreiras um cabelo branco nascido de pensar no assunto!
E é por isto que defendo uma solução alternativa para governar Cascais.
Infelizmente do lado da oposição todos os sinais apontam para que estão mais interessados nos lugares nas listas autárquicas e nos interesses dos seus Partidos do que viabilizar uma solução que salve Cascais do atoledo em que Carreiras e os seus colaboradores estão a criar na nossa terra.
Carreiras criou uma carripana com o CDS que ele próprio conduz sem carta e a oposição é incapaz de criar uma geringonça que faça regressar o ar respirável aos Paços do Concelho de Cascais. Uma geringonça que faça uma limpeza geral nas assessorias de militantes do PSD e do CDS que definham as contas da Câmara a pagar empregos que não correspondem a trabalho realizado e que resistam a repetir esse exemplo na futura governação do município.
Os dias passam, o tic tac dos ponteiros do relógio parecem antever a inevitabilidade de mais do mesmo.
Muitos candidatos a candidatos nas listas dos vários Partidos, a efémera glória de uma foto tipo passe num lugar de uma lista que nunca será eleito, muitos cabeça de lista derrotados mas eleitos para um mandato de quatro anos sem pelouros e Cascais a as suas gentes a servirem de estrada para a carripana passear uma classe que não tem?
Podem os Partidos da oposição fazer de conta que o que acabo de referir não é verdade, ou não é suficientemente importante para merecer uma abordagem de salvação de Cascais em que assumam uma postura de “vão-se os anéis mas ficam os dedos”?
Respeitar para se ser respeitado.

O Respeito dos Partidos da oposição pelos munícipes de Cascais vai suplantar os interesses dos Partidos e dos seus militantes ou vai ficar adiado por mais quatro anos?

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